Bruno acusa delegado de extorsão e ameaça

Goleiro diz que delegado ofereceu R$ 2 milhões para tirá-lo do processo que investiga a morte de Eliza Samudio

Lecticia Maggi, enviada a Contagem |

Bruno Fernandes acusou durante depoimento, na tarde desta quinta-feira no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, o delegado Edson Moreira, do Departamento de Investigações de Belo Horizonte, de tentar extorqui-lo em R$ 2 milhões para que seu nome fosse retirado do processo que investigava a morte de Eliza Samudio, sua ex-amante. “Quero fazer queixa do Edson Moreira que ele me pediu R$ 2 milhões. Isso é corrupção”, disse. “Era para me tirar, tirar ele (Bola) e jogar tudo em cima do menor e do Macarrão”.

Segundo o goleiro, essa proposta chegou até ele por meio de Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, na penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG), durante um banho de sol em que os dois estavam juntos. Ele afirmou também que não conhecia Bola e só soube quem ele era a partir dessa conversa. Diante da proposta, diz que “simplesmente" riu: “Não tenho nada esconder de ninguém”.

Bruno disse ainda ter sentido ameaçado pelo mesmo delegado, que teria lhe mostrado fotos de sua avó Estela e de suas duas filhas e disse que sabia onde elas moravam. “Esse foi um dos motivos pelo qual não falei no DI”, afirmou.

As declarações foram feitas quando a juíza Marixa Fabiane Lopes realizava suas últimas perguntas ao acusado. Ele lhe agradeceu a oportunidade de esclarecer os fatos. “Desde o começo sempre quis colaborar com Justiça, dizer toda a verdade, mas não tive oportunidade de ter uma conversa assim, de ser tratado como gente, coisa que não aconteceu no departamento de investigações. Lá fui tratado como cachorro”, afirmou.

O advogado Ércio Quaresma mudou de ideia e afirmou que autorizava seu cliente a responder as perguntas feitas pelo promotor de Justiça Gustavo Fantini. O promotor foi breve e perguntou apenas se Bruno foi torturado, coisa que ele negou.

Diante de outra pergunta de Fantini, Bruno também negou que tenha falado com Eliza após o dia 10 de junho, mas afirmou que alguns amigos disseram que a viram na cidade de São Paulo nos dias 11 e 12 de junho. Ele não quis revelar o nome desses amigos, por dizer que “são jogadores de futebol famosos e poderiam ser prejudicados”.

O promotor pediu a instauração de inquérito para a averiguação dos crimes de concussão ou corrupção passiva contra o delegado Edson Moreira. Na quarta-feira, o advogado de Bola, Zanone Manuel de Oliveira Junior, já havia afirmado à imprensa sobre a tentativa de extorsão.

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