Bola puxou Eliza para trás, deitando de costas enquanto a sufocava, diz menor

Em depoimento informal ao MP, ao qual o iG teve acesso, primo de Bruno conta que Macarrão o chamou `somente para dar um susto em Eliza¿

iG Rio de Janeiro |

O segundo depoimento do adolescente J., de 17 anos, primo do goleiro Bruno, que confessou envolvimento no desaparecimento e na suposta morte de Eliza Samudio, revelou mais detalhes de como teria sido o crime e os dias que o antecederam. Ele também afirmou que os fatos narrados no Registro de Ocorrência policial eram “parcialmente verdadeiros”.

Na versão contada informalmente para o promotor de Justiça da Infância e da Juventude Renato Lisboa, na quinta-feira (8), à qual o iG teve acesso, o menor alegou que no sábado, 5 de junho, foi chamado pelo amigo e funcionário do goleiro Bruno, Luiz Henrique Romão, o Macarrão, para, segundo sua interpretação, “dar somente um susto em Eliza”. Ela estaria “dando muita apurrinhação” para o jogador.

iG São Paulo
Parte do depoimento do menor sobre o caso Eliza Samudio
O adolescente teria aceitado o convite. Já dentro do veículo modelo Range Rover de Bruno, que Macarrão dirigia, passaram em um local que ele não recorda o endereço, e, segundo o menor, pegaram uma pistola .380. J., então, teria se escondido no porta-malas do carro com a arma antes de buscar Eliza e seu filho em um hotel na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

A ex-amante do goleiro teria tentado sair do carro quando J. passou para o banco traseiro do porta-malas onde estava escondido, mas Eliza não conseguiu, pois o veículo estava em movimento. Após Eliza e o menor lutarem pela posse da arma, o adolescente contou que deu três coronhadas na cabeça de Eliza, que não teria perdido os sentidos.

Os três teriam ficado dois dias na casa do goleiro Bruno, também na zona oeste, e foram para Minas Gerais na segunda-feira, dia 7 de junho. No depoimento, o menor afirma que “fizeram a viagem sem paradas pois o tanque do carro estava cheio e levaram lanches”.

Quando chegaram ao sítio do goleiro Bruno, em Esmeraldas (MG), a esposa do jogador Dayanne Rodrigues estaria no local. Ainda segundo o menor, pouco depois, outro primo do jogador, Sérgio Rosa Sales, chegou ao sítio e “cuidou dos ferimentos de Eliza”. No mesmo dia, o jogador Bruno teria chegado à propriedade.

Segundo o menor, Eliza não “ficou detida em nenhum cômodo da casa, e até usou a piscina”. Dois dias depois, na quarta-feira, dia 9 de junho, Macarrão teria dito a Eliza que “estava arrumando um apartamento em Belo Horizonte para ela morar” e que iriam ficar em uma casa perto do aeroporto, durante uma noite, até que ela pudesse se mudar.

O adolescente disse ao Ministério Público que ele, Macarrão e Eliza (com seu filho) entraram novamente na Range Rover de Bruno, acompanhados agora também do outro primo do goleiro, Sérgio Rosa Sales.

Macarrão teria ligado para o proprietário da casa, o chamando pelo apelido de “Neném”, para saber a localização da residência. Neném seria o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, também conhecido como “Bola”. Ao chegarem no endereço, Neném já estaria esperando com o portão da casa aberto, e teria mostrado para Eliza uma carteira funcional de policial civil antes de interrogá-la sobre uso de drogas.

Durante o interrogatório, o suposto policial teria aplicado um golpe conhecido como gravata em Eliza e, neste momento, “Macarrão amarrou as mãos de Eliza para a frente”. A morte teria sido mais brutal, segundo J.: “Neném puxou Eliza para trás, deitando de costas enquanto a sufocava”.

Os dois primos de Bruno e Sérgio teriam ido, então, para a garagem da casa com o filho de Eliza. Cerca de uma hora depois, Neném passou carregando um saco preto e que “embora não tenha dito, todos presumiram que o corpo de Eliza estava esquartejado dentro do saco”. O ex-policial teria então se dirigido ao canil onde estavam alguns cachorros. E J. “chegou a ver Neném jogando a mão de Eliza aos cães”.

Neste momento, eles teriam voltado ao sítio e, no dia seguinte, pela manhã, segundo o menor, Macarrão teria ligado para Neném que disse ter se livrado dos restos mortais de Eliza que os cães não haviam comido colocando em uma obra em construção.

No início da noite desta segunda-feira (12), o juiz Marcius Ferreira, da 2ª Vara da Infância e Juventude do Rio, autorizou a transferência do menor para Minas Gerais, para ele ficar perto dos pais e para contar esses novos detalhes para a polícia em Minas.

*reportagem de Bruna Fantti, especial para o iG

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