Mãe e filha dizem que ele é inocente e que está sofrendo ameaças de morte na cadeia

Faixa em frente à casa de Bola, em Minas, diz que ele é inocente
Denise Motta/iG
Faixa em frente à casa de Bola, em Minas, diz que ele é inocente
A família de Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, 48 anos, diz temer pela segurança do ex-policial. Preso por suposto envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes de Souza, de 26 anos, Bola seria alvo de um “plano macabro”, afirmam a esposa dele, Denizlei, 42 anos, e a filha, Middian Keely, 26.

"Ele tem medo do que podem fazer com a gente aqui fora, pois, se não conseguirem atingir ele, ele pensa que farão alguma coisa conosco", diz a filha.

Bola é apontado pela polícia como o homem que matou Eliza por asfixia. O crime teria acontecido em sua casa, no município de Vespasiano, região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). Segundo investigações, após o assassinato ele teria esquartejado o corpo de Eliza e jogado alguns pedaços para cães da raça rotweiller.

Há duas semanas elas dizem ter recebido uma carta anônima, postada em uma agência do centro de Belo Horizonte, denunciando que o ex-policial estaria marcado para morrer. Isso para que toda culpa recaia sobre ele e nada possa ser desmentido.

Acusado de cinco homicídios após ter seu nome envolvido no caso Eliza, Bola seria uma espécie de bode expiatório, segundo a defesa dele. “Ele foi ameaçado e está abatido. Esta questão causou nele um sentimento atroz. Infelizmente, o apelo midiático e sensacionalista influencia no julgamento”, diz outro advogado de Bola, Zanone Manuel de Oliveira.

“Por enquanto ele ainda não foi interrogado em nenhum dos processos de homicídio. Os outros processos de homicídio só existem por causa do caso Bruno. São crimes antigos em que testemunhas atribuem a ele a autoria”, completa o advogado, negando envolvimento de seu cliente em qualquer um dos crimes, tanto no caso do desaparecimento da ex-amante de Bruno quanto em outros assassinatos nos quais o ex-policial seria pago para matar.

nullA família e os advogados de Bola também negam envolvimento dele em um suposto plano para matar a juíza Marixa Fabiane Lopes, responsável por sua prisão, e também o delegado responsável pelo inquérito, Edson Moreira, além do advogado da família de Eliza, José Arteiro Cavalcante Lima.

O plano foi revelado por um detento, colega de Bola. “Ele contou que Eliza foi morta e suas cinzas jogadas a peixes. Quero mantê-los presos e faço isso pela sociedade”, diz o advogado de Jaílson Alves de Oliveira, detento colega de Bola. “O Jaílson não era colega de Bola na cela. E por qual motivo Bola contaria detalhes de um crime a um desconhecido?”, rebate o advogado do ex-policial, Fernando Magalhães.

Depressão e Bíblia

Desde que foi preso no ano passado, Marcos Aparecido perdeu 10 quilos na prisão, contou ao iG Middian, filha dele. Na prisão, Bola toma remédios para asma, pressão e depressão. Para passar o tempo, ele costuma ler a Bíblia “Nas primeiras visitas o Bruno até brincou que ficou conhecendo o próprio segurança na cadeia”, diz Middian.

A esposa de Bola, Denizlei, conta que o marido nunca teve contato com Bruno, mas sim com Macarrão , amigo de Bruno. “Um amigo dele (Bola) conhecia o Macarrão, tinha um grupo de pagode que era patrocinado pelo Bruno.Como meu filho gostava de jogar futebol, ficaram de olhar um time para ele”, afirma Denizlei. Isso, segundo ela, explica ligações de Macarrão para o ex-policial.

Sobre suas atuações na polícia, a esposa de Bola diz que ele manteve boa conduta, apesar de ter sido afastado das polícias militar de São Paulo e de Minas, além da Polícia Civil de Minas. Depois, conta ela, “ele montou uma empresa de segurança e fazia faculdade de tecnologia em gestão pública.

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