Advogado diz que sobrevivência de filho prova inocência de Bruno

“Se ele tivesse que acabar com Eliza, teria acabado com o filho”, afirmou Cláudio Dalledone em audiência nesta quarta

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O advogado do ex-goleiro do Flamengo Bruno Fernandes de Souza , Cláudio Dalledone, afirmou nesta tarde em julgamento de recursos referentes ao processo de seu cliente que, se o atleta quisesse matar Eliza Samudio, ele também teria executado seu filho, Bruninho.

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A afirmação foi feita durante sessão na 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em Belo Horizonte, onde, nesta tarde, desembargadores analisam pedidos para extinguir a ação contra os oito réus no processo. “Se ele tivesse que acabar com Eliza, teria acabado com o filho”, afirmou Dalledone, em referência ao bebê que o goleiro e Eliza tiveram. Segundo as investigações, a criança foi o estopim para que Bruno decidisse matar Eliza. Bruno nega. Ele responde por homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver.

Os acusados de envolvimento na morte de Eliza vão a juri popular por determinação da juíza Marixa Rodrigues. Com o recurso julgado nesta quarta-feira (10), os defensores dos réus tentam anular o processo.

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Cláudio Dalledone, advogado de Bruno, durante a sessão desta quarta
O advogado também disse que o “direito de defesa dos acusados” não foi respeitado. Segundo ele, os delegados de polícia não foram ouvidos durante as investigações. Para Dalledone, o processo deve ser nulo, pois Bruno não participou de todas as audiência e seu advogado no ano passado, Ércio Quaresma, estava debilitado por dependência química. “A defesa foi deficitária. Ele (Ércio Quaresma) se entregava aos roncos, dormia, não se entregava a defesa”, afirmou.

A audiência

A 4ª Camara iniciou a sessão por volta de 14h10 e analisa, além do pedido de anulação do processo, recurso do Ministério Público que pede a citação de oito réus pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver.

O ex-goleiro foi denunciado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação do cadáver. Pelos mesmos crimes foram denunciados Luiz Henrique Romão, conhecido como Macarrão (braço direito do ex-goleiro), e Sérgio Rosa Salles (primo de Bruno). O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, apontado pelas investigações como o assassino de Eliza, foi denunciado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado e ocultação de cadáver. Por sequestro e cárcere privado foram denunciados Dayanne Rodrigues do Carmo Souza (ex-mulher de Bruno), Wemerson Marques de Souza (amigo de Bruno), Elenilson Vitor da Silva (caseiro do sítio do goleiro Bruno) e Fernanda Gomes de Castro (ex-namorada de Bruno).

O MP quer que Dayanne, Wemerson, Elenilson e Fernanda também respondam pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver. Já a defesa dos acusados pede que o processo contra todos os réus seja extinto, por falta de provas.

O primeiro a falar na sessão de hoje representava o Ministério Público. Em sua exposição, o procurador de Justiça Mariano Guimarães Sepúlveda afirmou que a denúncia dos réus não se deu por acaso. “Todos eles estiveram no local, presenciaram estes fatos (sequestro e cárcere privado de Eliza) e nada fizeram. A pronúncia não exige juízo de certeza absoluto, é juízo de probabilidade”, defendeu o procurador, emendando que escutas telefônicas reforçam a participação dos oito réus.

A defesa foi deficitária. Ele se entregava aos roncos, dormia, não se entregava a defesa”, diz atual advogado de Bruno sobre seu antecessor

Carla Cilene Gomes, advogada de Fernanda, foi a primeira a falar após o procurador. Ela quer separar sua cliente dos outros acusados. “Analisam os denunciados como se estivessem juntos, amarrados no mesmo balaio de gato. Isso não é verdade”, defendeu. A advogada também disse que Fernanda “se encantou” por Bruno, namorou com ele por quatro meses em 2010, em um período curto, mas de “sofrimento ímpar”, pois lhe rendeu uma denúncia criminal. “Nem no pior enredo de novela uma namorada recente se aliaria à ex-mulher de alguém para ceifar a vida de uma amante e deixar o caminho livre para uma noiva”, disse a defensora de Fernanda, referindo-se, respectivamente a Dayanne, Eliza e à dentista Ingrid Calheiros, atual noiva de Bruno.

A advogada ainda contou no julgamento que Fernanda hoje trabalha como recepcionista em um escritório de advocacia no Rio de Janeiro. “Fernanda não praticou nenhum crime contra a pessoa da senhora Eliza Samudio  nem seu filho Bruno Samudio”, defendeu a advogada da ex-namorada de Bruno, antes de parafrasear o filósofo alemão Friedrich Nietzche: “Convicções são inimiga mais perigosas da verdade do que as próprias mentiras”.

O advogado de Sérgio Rosa Sales, Marco Antonio Siqueira, também já falou durante o julgamento dos recursos. Ele afirmou que seu cliente foi levado ao sítio do ex-goleiro em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte, onde frequentemente ocorriam orgias. “Sérgio era mera testemunha. Era uma orgia tremenda, todo mundo sabe, a imprensa já noticiou. Ele foi incluído no processo por expectativa de falar mais”, disse o advogado. Sérgio foi o único dos acusados que participou de reconstituição do crime na casa do ex-policial Marcos Antônio Aparecido, o Bola, acusado de matar Eliza.

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