Acusados voltam atrás e admitem ter visto Eliza em sítio de Bruno

No 2º dia de audiência do caso Eliza Samudio, amigos de goleiro modificam depoimentos. Primo deve ser ouvido nesta quarta-feira

Letícia Maggi e Camila Dias, em Contagem |

Wemerson Marques de Souza, conhecido como “Coxinha”, e Flávio Caetano de Araújo prestaram depoimento durante toda esta terça-feira no Fórum de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte, sobre o caso envolvendo o desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. Os dois mudaram as versões que haviam apresentado à polícia, mas não disseram nada que pudesse comprometer o jogador.

Segundo a ser ouvido, Wemerson falou por quase 5h e, diante da juíza Marixa Fabiane Lopes, admitiu ter visato Eliza no sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), dois dias antes do suposto assassinato na casa de Bola. “Eu falei que não conhecia Eliza porque estava muito assustado com o que a polícia estava falando. Eles disseram que eu tinha matado uma mulher e iria fazer a mesma coisa com a criança”, afirmou.

Vestindo um uniforme vermelho de mangas compridas durante todo o tempo, Wemerson sorriu ao chegar para depor e verificar que familiares seus estavam na plateia. Ele respondeu a todas as perguntas feitas pela juíza e pelos advogados dos outros acusados.

Como ainda não se trata do julgamento dos acusados, populares são impedidos de acompanhar os trabalhos. Na plateia ficam apenas jornalistas e alguns poucos familiares. A maior parte das cadeiras permanece vazia.

AE
Flávio Caetano de Araujo, motorista do goleiro Bruno, em depoimento no Fórum de Contagem, em Minas Gerais

Desta vez, o advogado de Bruno Fernandes, Ércio Quaresma, optou por não fazer perguntas para Marques. Novamente ele dormiu durante a audiência e quando chegou o momento de perguntar, acordou assustado e informou que não tinha nada a questionar.

 O advogado de Wemerson, Paulo Sávio Guimarães, classificou as declarações do cliente como “esclarecedoras” e minimizou a contradição entre este e os outros depoimentos do acusado em relação à presença de Eliza no sítio. “Ele voltou atrás, mas é plausível o que disse. Ele, com antecedência boníssima, nunca tinha se encontrado nessa situação, chamado pela entidade policial ficou assustado e omitiu o fato”, defendeu ele.

Guimarães disse ainda acreditar na possibilidade de Wemerson, assim como outros acusados, não ser mandado a júri popular. Ele enfatiza que a participação do cliente no caso foi em pegar o bebê das mãos de Dayanne na rodovia BR-040 e o repassar a outra pessoa. “Agora, a autoridade vai interpretar se é uma atitude típica ou se é crime. Se é cárcere privado do menor ele vai ter que pagar. Se não é, terá que ser imediatamente liberado”.

Flávio Caetano

Antes de Wemerson, Flávio Caetano também prestou um longo depoimento e mudou a versão dita à polícia. Ele admitiu que também conhecia Eliza e disse que só não contou isso da primeira vez porque não sabia como ela era. “Eu disse que não conhecia e que nunca tinha visto Eliza porque na delegacia ninguém me mostrou foto e ninguém me falou como ela era. Depois eu me lembrei que a vi no sítio”, afirmou. Segundo ele, Eliza tomava sol com o filho no sítio do goleiro, no dia 8 de junho, quando ele a viu.

A defesa quis sugerir que a ex-amante de Bruno não foi sequestrada e nunca esteve em cárcere privado. A modelo teria acesso livre ao dependências do sítio. “Ela circulava livremente e nunca ficou trancada na casa”, afirmou Flávio Araújo.

Wemerson Marques afirmou também que ela foi a um dos jogos do time 100% e estava na arquibancada. “Logo após o jogo, o Bruno veio com a criança no colo e me apresentou dizendo que era filho dele. Depois fomos para um bar, em Ribeirão das Neves, e lá vi Elisa. Ela conversava normalmente e não estava machucada”, disse ele.

Expectativa

Como o depoimento de Wemerson e Flávio se estendeu, o interrogatório de Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, que estava previsto para esta terça-feira, foi adiado para quarta-feira. Há uma grande expectativa em torno do que ele pode contar, já que ele e o menor J. são considerados testemunhas-chave para a polícia. Foram os dois que revelaram detalhes dos dias em que Eliza passou no sítio e de como ela teria sido morta.

O advogado de Sérgio, Willer Vidigal, adiantou ao iG que o cliente deve manter a versão dada quando fez acareação com o menor. Desta forma, deve confirmar à juíza Marixa Fabiane Lopes que viu Eliza Samudio no sítio do goleiro dias antes dela desaparecer e ser considerada morta pela polícia. Contudo, ao contrário do primeiro depoimento que prestou – em que dizia que o jogador teve participação ativa no assassinato – agora ele deve negar que viu Bruno levando Eliza para ser morta na casa de Bola.

Os advogados dos outros acusados também aguardam ansiosos por qual será a versão apresentada por Sérgio à Justiça. Ele já disse, inclusive, ter sido torturado para incriminar o primo. “O Sérgio é o mais aguardado. Cada vez que presta depoimento fala uma coisa. Sem dúvida nenhuma será um dia de muita expectativa, afirma Guimarães, defensor de Wemerson.

A ex-namorada do atleta, Fernanda Gomes de Castro, não deve ir ao Fórum nesta quarta-feira. No início da noite um ofício foi enviado à Penitenciaria Estêvão Pinto (região leste da cidade), onde a mulher está presa. No documento a magistrada Marixa Lopes comunica que a presença da loira está cancelada e nova data ainda será marcada. A juíza preferiu não revelar quem será interrogado depois de Sérgio Sales

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