C.M.R.S foi presa com tubos de cocaína e lista com nomes de "devedores". Ao iG, advogado do goleiro diz que envolvimento com tráfico questiona a "idoneidade do júri"

Cópia do Boletim de Ocorrência que será apresentado pela defesa de Bruno
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Cópia do Boletim de Ocorrência que será apresentado pela defesa de Bruno

A prisão de umas das sete pessoas que formavam o Conselho de Sentença no julgamento do ex-goleiro Bruno Fernandes, condenado a 22 anos pelo assassinato de Eliza Samudio, deve reforçar os cinco volumes que formam o pedido de habeas corpus com julgamento previsto para na próxima terça-feira (23) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O recurso conta com 1.022 páginas e tem como relator o ministro Teori Zavascki.

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No último dia 5, C.M.R.S, de 28 anos, foi presa pelo crime de tráfico de drogas no bairro Jardim Industrial, região de Contagem, na Grande Belo Horizonte. Segundo o boletim de ocorrência, registrado no 2 DP e ao qual o iG teve acesso, no local de trabalho de C. foram encontrados seis microtubos com uma substância branca, semelhante a cocaína, e uma lista de "devedores".

Ainda de acordo com o texto da ocorrência, os tubos com a suposta droga foram encontrados no motor de uma geladeira presos com uma fita adesiva. Como havia uma lista com nomes "devedores" ao lado, os agentes militares deram voz de prisão sob o crime de tráfico de entorpecentes. A apreensão ocorreu na rua Rui Barbosa, número 212. C. foi então levada ao DP e hoje aguarda a investigação em liberdade.

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Para Lenoir, formação do júri não respeitou artigo do Código de Processo Penal sobre
Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press
Para Lenoir, formação do júri não respeitou artigo do Código de Processo Penal sobre "idoneidade"

Para o advogado Tiago Lenoir, um dos três defensores do jogador, a prisão e apreensão deve ser investigada pela Polícia Civil e Ministério Público já que "comprometeria a idoneidade" do corpo de jurados, que condenou o goleiro em março deste ano. "Caso seja comprovada a legitimidade do boletim de ocorrência, ele será anexado ao pedido de habeas corpus julgado pelo STF", explicou.

Segundo ele, o objetivo da defesa é comprovar - enquanto a sentença ainda não transitou em julgado - que a formação do júri não respeitou o artigo 436 do Código de Processo Penal, onde está escrito que "os jurados serão escolhidos dentre cidadão de notória idoneidade". "Sabemos que o envolvimento com o tráfico não é breve. Se comprovada que a suposta droga estava armazenada naquele local há um mês [período do julgamento], isso pôde influenciar a decisão como jurada".

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