'Justiça divina', diz mãe de Eliza sobre condenação de Bruno envolver 8 mulheres

Por Carolina Garcia e Ricardo Galhardo - enviados a Contagem (MG) |

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No Dia Internacional da Mulher, Sônia Fátima de Moura lembrou que o ciclo se fechou após o inquérito de Bruno ter duas delegadas e o julgamento ter cinco juradas e a magistrada

A mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima de Moura, não escondeu sua insatisfação com o veredicto do júri popular do goleiro Bruno Fernandes e de sua ex-mulher Dayanne Rodrigues. Para ela, a absolvição de Dayanne e a pena do jogador são “injustas” perto do que sua vida se tornou após o crime, cometido em 2010. “Eu e meu neto vivemos em prisão domiciliar por causa deles. Isso não está certo.”

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Cristiane Mattos/Futura Press
A mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima de Moura, durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem

Além de Sônia, a promotoria e os assistentes de acusação deixaram o fórum com promessas de recorrer da decisão da juíza Marixa Fabiane Rodrigues. Momentos antes de ouvir a sentença, a mãe da vítima conversou com o iG. Para ela, chega a ser uma ironia e “justiça divina” a vida de Bruno ter ficado “nas mãos de tantas mulheres” na madrugada do Dia Internacional da Mulher.

“A vida dele teve uma reviravolta e foi decidida por pelo menos oito mulheres”, disse Sônia se referindo a duas delegadas, que participaram do inquérito policial, cinco juradas e a magistrada. “Será que um dia ele imaginou que a decisão da sua vida sairia das mãos de uma mulher?”, questionou Sônia.

Entre grandes muros

Há aproximadamente dois anos, Sônia explicou ter se mudado de Anhanduí (MS) para a capital Campo Grande após sofrer ameaças e constrangimentos. “O bairro era muito pequeno e gerava muito falatório. Fugi de tudo o que me constrangia”, conta. Hoje diz se sentir segura somente dentro de sua cara, que possui grandes muros. “Não saio do portão para fora sem o meu marido. Antes de sair entro no carro com ele e, ao chegar, só desço lá dentro.”

Sônia confessou que já chegou a pensar em mudar o nome do neto, Bruninho Samudio, para que ele não carregue “o fardo de seu pai”. Porém, logo mudou de ideia, pois disse acreditar que essa deveria ser uma decisão dele. “Tento proteger, mas sei que no fundo tudo isso tem que partir dele. Vou esperar ele completar 18 anos.”

Protegida pela defensora Maria Lúcia Borges, Sônia tem evitado conversar com jornalistas após ter recebido o atestado de óbito de Eliza Samudio, expedido pela juíza após o julgamento de Macarrão e Fernanda, em novembro do ano passado.

No entanto, Sônia quis esclarecer que estará presente para o júri popular do ex-policial Marcos Aparecido, o Bola, que está marcado para o dia 22 de abril. “Vou estar presente em todos os júris populares. Quero ver todos saindo condenados.”

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