Lúcio Adolfo afirma que fez um acordo com a juíza Marixa Lopes Rodrigues para que o ex-goleiro confessasse que sabia da morte de Eliza Samudio

O goleiro neste último dia de julgamento, em Contagem
Marcelo Albert/TJMG
O goleiro neste último dia de julgamento, em Contagem

O advogado Lúcio Adolfo, defensor do goleiro Bruno Fernandes, disse que fez um acordo com a juíza do Tribunal do Júri de Contagem (MG), Marixa Lopes Rodrigues, para que o ex-jogador do Flamengo confessasse saber de antemão que Eliza Samudio seria assassinada.

De acordo com fontes envolvidas no julgamento, os acordos entre defesa, Ministério Público e a juíza explicam as penas dos quatro acusados pelo crime julgados até agora, consideradas baixas pela família de Eliza.

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Segundo o advogado, Marixa disse na manhã de quinta-feira (7) que não considerava o depoimento do dia anterior uma confissão. “Perguntei o que faltava para a confissão. Ela disse que faltava dizer que Bruno sabia. Então Bruno foi reinterrogado e disse que sabia ”, afirmou Adolfo.

Na véspera Bruno havia entregado a participação do policial Marcos Aparecido Santos, o Bola, no crime. Horas depois do novo depoimento o goleiro foi condenado por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e sequestro. A pena máxima é de 41 anos mas a juíza fixou a punição em 22 anos, embora o goleiro tenha sido mandante de um crime bárbaro, premeditado, no qual os restos da vítima foram atirados aos cachorros, segundo depoimentos e a própria sentença. Até o final de 2016 poderá pedir progressão para o regime semiaberto.

Depoimentos :
Ontem: Em novo depoimento, Bruno diz que "sabia e imaginava" que Eliza seria morta
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Pouco antes, Dayanne Rodrigues Souza, ex-mulher de Bruno, julgada pelo sequestro do filho do goleiro com Eliza, Bruninho, também pediu para ser interrogada outra vez e entregou a participação do ex-policial José Lauriano, o Zezé, na morte de Eliza. Pouco depois o promotor Henry Vasconcelos pediu a absolvição de Dayanne, o que foi acatado pelo júri.

Fontes da defesa e da acusação falaram ao iG sob a possibilidade de Bruno e Dayanne entregarem Bola e Zezé em troca de redução de pena e absolvição dois dias antes.

Em novembro Luiz Henrique Romão, o Macarrão, disse em depoimento que Bruno foi o mandante do assassinato. Macarrão teria levado Eliza para a morte, acompanhado e participado da execução e dado dois pontapés na vítima agonizante. Também foi condenado por homicídio triplamente qualificado, cárcere privado e ocultação de cadáver, com pena máxima de 33 anos, mas a juíza fixou a punição em 15 anos. Macarrão pode ir para o regime semi-aberto no ano que vem.

O julgamento
1º dia de júri: Advogado de Bruno admite hipótese de confissão parcial
2º dia de júri: Se condenado, defesa espera que Bruno fique só mais 6 meses preso
3: dia de júri: Promotor prevê condenação de 30 anos para Bruno

Na época Lúcio Adolfo denunciou um “acórdão” para proteger Macarrão em troca do depoimento contra Bruno. O promotor negou o acordo alegando que a redução de pena é prevista em lei mas nunca recorreu da sentença. O assistente de acusação José Arteiro falava abertamente em um acordo desde o primeiro dia do julgamento de Macarrão.

Na mesma sessão Fernanda de Castro, ex-namorada de Bruno , também acusada pelo sequestro de Bruninho, foi condenada a cinco anos mas nem sequer chegou a ser presa.

Segundo advogados envolvidos no processo, os acordos se tornaram uma estratégia de ação da acusação para contornar a falta de provas contra os principais acusados. “O que eles tinham de prova contra o Bruno até o depoimento do Macarrão? Nada. O que eles tinham de prova contra Bola e Zezé até os depoimentos de Bruno e Dayanne? Nada. Agora tem”, disse um dos advogados.

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