Juíza negociou confissão de Bruno, diz advogado de defesa

Por Ricardo Galhardo e Carolina Garcia, enviados a Contagem (MG) | - Atualizada às

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Lúcio Adolfo afirma que fez um acordo com a juíza Marixa Lopes Rodrigues para que o ex-goleiro confessasse que sabia da morte de Eliza Samudio

Marcelo Albert/TJMG
O goleiro neste último dia de julgamento, em Contagem

O advogado Lúcio Adolfo, defensor do goleiro Bruno Fernandes, disse que fez um acordo com a juíza do Tribunal do Júri de Contagem (MG), Marixa Lopes Rodrigues, para que o ex-jogador do Flamengo confessasse saber de antemão que Eliza Samudio seria assassinada.

De acordo com fontes envolvidas no julgamento, os acordos entre defesa, Ministério Público e a juíza explicam as penas dos quatro acusados pelo crime julgados até agora, consideradas baixas pela família de Eliza.

A decisão: Bruno é condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Dayanne é absolvida
A sentença: Veja a íntegra da sentença que condenou Bruno e absolveu Dayanne
Reação: 'A Justiça então é isso aí?', diz Bruno após sentença

Segundo o advogado, Marixa disse na manhã de quinta-feira (7) que não considerava o depoimento do dia anterior uma confissão. “Perguntei o que faltava para a confissão. Ela disse que faltava dizer que Bruno sabia. Então Bruno foi reinterrogado e disse que sabia”, afirmou Adolfo.

Na véspera Bruno havia entregado a participação do policial Marcos Aparecido Santos, o Bola, no crime. Horas depois do novo depoimento o goleiro foi condenado por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e sequestro. A pena máxima é de 41 anos mas a juíza fixou a punição em 22 anos, embora o goleiro tenha sido mandante de um crime bárbaro, premeditado, no qual os restos da vítima foram atirados aos cachorros, segundo depoimentos e a própria sentença. Até o final de 2016 poderá pedir progressão para o regime semiaberto.

Depoimentos:
Ontem: Em novo depoimento, Bruno diz que "sabia e imaginava" que Eliza seria morta
Quarta-feira: Bruno admite que sabia da morte de Eliza e incrimina Macarrão e Bola
Dayanne: Ré afirma que primo de Bruno que levou Eliza Samudio voltou 'assustado'

Pouco antes, Dayanne Rodrigues Souza, ex-mulher de Bruno, julgada pelo sequestro do filho do goleiro com Eliza, Bruninho, também pediu para ser interrogada outra vez e entregou a participação do ex-policial José Lauriano, o Zezé, na morte de Eliza. Pouco depois o promotor Henry Vasconcelos pediu a absolvição de Dayanne, o que foi acatado pelo júri.

Fontes da defesa e da acusação falaram ao iG sob a possibilidade de Bruno e Dayanne entregarem Bola e Zezé em troca de redução de pena e absolvição dois dias antes.

Advogados de defesa riem na saída do Fórum Criminal de Contagem (MG), após a leitura da sentença. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressO goleiro Bruno no momento em que ouvia a sentença dada pela juíza. Foto: iG São PauloA mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima Moura, durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressJuíza Marixa Lopes Rodrigues faz a leitura da sentença na madrugada de sexta-feira (8). Foto: Marcelo Albert/TJMGEx-goleiro Bruno aguarda leitura da sentença no Fórum Criminal de Contagem (MG) na madrugada desta sexta-feira (8). Foto: Renata Caldeira/TJMGDurante julgamento, que terminou na madrugada desta sexta, Bruno demostrou cansaço e tensão . Foto: Renata Caldeira / TJMGO promotor, Henry Vasconcelos, gesticula durante julgamento do goleiro Bruno . Foto: Marcelo Albert/TJMGPromotor afirmou que esperava que a pena de Bruno ficasse entre 28 e 30 anos. Foto: Marcelo Albert/TJMGAdvogado de defesa, Lúcio Adolfo durante julgamento. Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Foto: Marcelo Albert/TJMGAdvogados de defesa do goleiro Bruno e de Dayanne conversam durante sessão desta quinta-feira. Foto: Renata Caldeira / TJMGEx-mulher de Bruno afirma ter medo de Zezé. Dayanne Rodrigues foi novamente interrogada nesta quinta-feira (7). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno admitiu na manhã desta quinta-feira que sabia que Eliza Samudio seria assassinada. Foto: Renata Caldeira / TJMGDayanne chora durante depoimento no quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG). Foto: Renata Caldeira / TJMGEx-goleiro Bruno durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG), na manhã desta quinta-feira (7). Foto: Pedro Vilela/Futura PressBruno chega ao Fórum criminal de Contagem (MG)nesta quinta-feira (7). Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia"Estou tranquila. Para Deus nada é impossível" , disse a esposa de Bruno, Ingrid Calheiros, no quarto dia de julgamento. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno chora e nega ter mandado matar Eliza . Foto: Renata Caldeira/TJMGBruno chora ao ser interrogado nesta quarta-feira, em Contagem. Foto: Renata Caldeira / TJMGO jogador ouve a pergunta do advogado de defesa, Lúcio Adolfo, no terceiro dia de julgamento. Foto: Marcelo Albert/TJMGBruno chora ao depor nesta quarta-feira, durante o julgamento. Foto: Marcelo Albert/TJMGO goleiro no terceiro dia de julgamento, no Fórum Criminal de Contagem (MG). Foto: Marcelo Albert/TJMG Bruno interrompe depoimento durante julgamento no Fórum de contagem (MG) e chora. Foto: Renata Caldeira / TJMGBruno é interrogado nesta quarta-feira (6) sobre assassinato de Eliza Samudio. Foto: Renata Caldeira/TJMGDayanne acompanha depoimento de ex-marido nesta quarta-feira (6). Foto: Renata Caldeira / TJMGBruno permaneceu de cabeça baixa a maior parte do tempo no julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG). Ex-goleiro dá depoimento sobre assassinato de Eliza Samudio nesta quarta-feira (6). Foto:  Pedro Vilela/Futura PressEx-goleiro Bruno durante julgamento nesta quarta-feira (6). Foto: Bernardo Salce/Futura PressA ex-namorada de Luiz Henrique Ferreira Romão, em frente ao fórum Criminal de Contagem. Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Futura PressO promotor Henry Vasconcelos (E) e a juíza Marixa Rodrigues durante o terceiro dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG). Foto: Pedro Vilela/Futura PressBruno e Dayanne acompanham trechos de vídeos sobre o caso. Foto: Renata Caldeira / TJMGO advogado Lúcio Adolfo, durante sessão do júri, ao lado da atual mulher de Bruno, Ingrid Oliveira. Foto: Marcelo Albert/TJMGA ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, neste segundo dia de julgamento. Foto: Renata Caldeira / TJMGAo fundo, Bruno e Dayanne acompanham o depoimento de Célia. Foto: Renata Caldeira / TJMGIngrid Calheiros aguarda julgamento ser iniciado nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaDayanne Rodrigues, julgada pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio, demostra cansaço nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaBruno e Dayanne aguardam início do julgamento nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaEx-goleiro Bruno chora durante julgamento na manhã desta terça-feira (5). Foto: Douglas Magno/O Tempo/Futura PressÉrcio Quaresma (E), advogado de Bola, e José Arteiro, advogado da família de Eliza Samudio, conversam na entrada do Fórum de Contagem (MG). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaAdvogado de Bruno, Lucio Adolfo chega Fórum de Contagem (MG) para o julgamento do caso Bruno. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressMulher do ex-goleiro Bruno, Ingrid Calheiros após falar com imprensa na entrada do do Fórum de Contagem (MG). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressMulher do ex-goleiro Bruno, Ingrid Calheiros fala com a imprensa na chegada ao Fórum de Contagem. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressChegada do ex-goleiro Bruno no Fórum de Contagem (MG) nesta terça-feira contou com o apoio de policiais. Foto: Pedro Vilela/Futura PressCuriosos observam movimentação em frente ao Fórum de Contagem (MG) nesta terça-feira (5). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno chora durante julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura PressAdvogado Tiago Lenoir mostra trecho da bíblia a Bruno em julgamento em Contagem. Foto: Rodrigo Lima/O Tempo/Futura PressBruno fica de cabeça baixa no plenário onde é realizado o julgamento. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressUma das poucas vezes que o goleiro ergueu a cabeça no início do primeiro dia de julgamento. Foto: Renata Caldeira/TJMGBruno e Dayanne durante sessão desta segunda-feira, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Foto: Renata Caldeira / TJMGMãe de Eliza Samudio Sonia Samudio chega para o julgamento no Fórum de Contagem (MG) nesta segunda-feira (4). Foto: Futura PressFórum de Contagem, em Minas Gerais, recebe reforço na segurança por causa do julgamento do ex-goleiro Bruno. Foto: Futura PressGilmara Oliveira, de 35 anos, protesta em frente ao Fórum de Contagem (MG), na manhã desta segunda-feira (4). Foto: Futura PressMulher de Bruno, Ingrid Calheiros chega para o julgamento ao Fórum de Contagem (MG), nesta segunda-feira (4). Foto: Futura PressEx-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues é acusada de sequestro e cárcere de Bruninho. Foto: Futura PressÉrcio Quaresma chega para o julgamento no Fórum de Contagem (MG), na manhã desta segunda-feira (4). Foto: Futura PressJosé Arteiro é advogado da família de Eliza Samudio. Foto: Samuel Costa/Hoje Em Dia/Futura PressLucio Adolfo é advogado do ex-goleiro Bruno. Foto: Samuel Costa/Hoje Em Dia/Futura Press

Em novembro Luiz Henrique Romão, o Macarrão, disse em depoimento que Bruno foi o mandante do assassinato. Macarrão teria levado Eliza para a morte, acompanhado e participado da execução e dado dois pontapés na vítima agonizante. Também foi condenado por homicídio triplamente qualificado, cárcere privado e ocultação de cadáver, com pena máxima de 33 anos, mas a juíza fixou a punição em 15 anos. Macarrão pode ir para o regime semi-aberto no ano que vem.

O julgamento
1º dia de júri: Advogado de Bruno admite hipótese de confissão parcial
2º dia de júri: Se condenado, defesa espera que Bruno fique só mais 6 meses preso
3: dia de júri: Promotor prevê condenação de 30 anos para Bruno

Na época Lúcio Adolfo denunciou um “acórdão” para proteger Macarrão em troca do depoimento contra Bruno. O promotor negou o acordo alegando que a redução de pena é prevista em lei mas nunca recorreu da sentença. O assistente de acusação José Arteiro falava abertamente em um acordo desde o primeiro dia do julgamento de Macarrão.

Na mesma sessão Fernanda de Castro, ex-namorada de Bruno, também acusada pelo sequestro de Bruninho, foi condenada a cinco anos mas nem sequer chegou a ser presa.

Segundo advogados envolvidos no processo, os acordos se tornaram uma estratégia de ação da acusação para contornar a falta de provas contra os principais acusados. “O que eles tinham de prova contra o Bruno até o depoimento do Macarrão? Nada. O que eles tinham de prova contra Bola e Zezé até os depoimentos de Bruno e Dayanne? Nada. Agora tem”, disse um dos advogados.

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