Defesa admitiu que goleiro pode ter mentido, mas tem esperança de que depoimento seja interpretado como uma confissão e que Bruno seja premiado com uma redução de pena

Ao deixar o Fórum Criminal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG), o promotor Henry Wagner Vasconcelos afirmou que o interrogatório do ex-goleiro Bruno Fernandes não pode ser considerado uma confissão . “Não há um único traço de confissão nas palavras dele. A única coisa que ele fez foi delatar Bola, claramente”. No entanto, segundo Henry, a delação simples não tem do ponto de vista jurídico nenhum efeito. “Até onde andou, ele continua, sem trocadilhos, no bico do urubu.”

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O promotor Henry Wagner Vasconcelos e Bruno, durante interrogatório desta quarta-feira
Marcelo Albert/TJMG
O promotor Henry Wagner Vasconcelos e Bruno, durante interrogatório desta quarta-feira

Esperando uma “condenação de excelência”, o promotor prevê que a pena de Bruno “tangencie os 30 anos”. Segundo ele, a lei permite que o réu faça um novo depoimento e apresente uma versão mais convincente. Caso o veredito seja insatisfatório para o MP, como a pena para homicídio simples (6 a 12 anos) ao derrubar as qualificadoras, a promotoria promete recorrer.

Para Henry, neste terceiro dia de júri popular, os defensores do réu deram dois tiros no pé: o silêncio diante dos jurados e o desdém com a defesa de Bola. “Bruno não está sendo julgado por uma corte, e sim por sete cidadãos leigos. O silêncio do ponto de vista da legalidade, não pode prejudicar ninguém. Mas na percepção do cidadão quem cala, consente”.

O promotor continuou a criticar a postura do goleiro, chamado de vara-pau, por abandonar a extensa sessão de perguntas no plenário. “Como é que aquele vara-pau, um ex-atleta robusto, não teria condições de suportar, com suas muitas varizes, acompanhar as perguntas. Isso transmite imagem muito negativa do réu, facilitando o trabalho da promotoria.”

A defesa de Bruno admitiu que o goleiro pode ter mentido no plenário. “É possível que sim. Não duvido. Isso pode ser uma coisa muito feia, mas no julgamento não é ilegal”, disse o advogado Lúcio Adolfo. O defensor, no entanto, mantém a esperança de que o depoimento do goleiro seja interpretado pela juíza como uma confissão e que Bruno seja premiado com uma redução de pena. “Acredito que sim porque isso aconteceu com o Macarrão.”


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