Advogado que representa Bruno afirmou que apresentará provas de que Macarrão roubava o goleiro e que era ele quem estava incomodado com a pressão feita por Eliza Samudio

A defesa do goleiro Bruno Fernandes prometeu apresentar provas de que Luiz Henrique Romão, o Macarrão, teria desviado dinheiro do ex-goleiro do Flamengo na tréplica, a fase final dos debates no tribunal do júri. Segundo a defesa, os desvios constam de uma investigação paralela sigilosa.

Acusação: Aos jurados, promotor pede condenação máxima a Bruno e absolvição de Dayanne

Advogados de defesa do goleiro Bruno e de Dayanne conversam durante sessão desta quinta-feira
Renata Caldeira / TJMG
Advogados de defesa do goleiro Bruno e de Dayanne conversam durante sessão desta quinta-feira

O objetivo dos advogados de Bruno é mostrar que a promotoria teria omitido detalhes do processo e ainda aguarda resultados de investigações em andamento. Com isso, espera plantar dúvidas entre os sete jurados. O advogado Lúcio Adolfo pediu que o júri absolva Bruno ou ignore as qualificações, atribuindo ao goleiro participação menor no assassinato de Eliza Samudio.

“O argumento de que Bruno mandou matar Eliza por motivo financeiro não se sustenta. Bruno era o cara mais desapegado do mundo. Quem tinha maior motivo era Macarrão, que estava subtraindo dinheiro do Bruno”, disse Adolfo. “Isso consta de um procedimento investigatório cautelar e não foi mostrado aos senhores (jurados)”, completou.

Depoimentos:
Hoje: Em novo depoimento, Bruno diz que "sabia e imaginava" que Eliza seria morta
Ontem: Bruno admite que sabia da morte de Eliza e incrimina Macarrão e Bola
Dayanne:  Ré afirma que primo de Bruno que levou Eliza Samudio voltou 'assustado'

Em quase duas horas de argumentação, o advogado se dedicou a desqualificar as provas da acusação e provocar o promotor Henry Vasconcelos.

O primeiro alvo foi Jorge Lisboa Rosa, primo de Bruno, menor de 18 anos à época do crime e até hoje a única testemunha a relatar o momento do assassinato de Eliza. A defesa recorreu a uma entrevista à TV na qual Jorge defende o goleiro e é chamado de mentiroso pelo promotor. A ideia é mostrar que nem a acusação confia na principal testemunha do caso.

Outro alvo foi Macarrão, que em novembro acusou Bruno de ser o mandante do assassinato de Eliza. A defesa lembrou que o promotor chamou Macarrão de facínora e acusou o promotor de fazer um acordo pelo qual o ex-melhor amigo de Bruno teria recebido uma redução de 8 anos em sua pena em troca de entregar o goleiro.

Além disso o advogado contestou provas da acusação como um laudo do IML sobre o estrangulamento de Eliza baseado apenas no relato de Jorge e não em um exame do corpo.

“O promotor tem mais dúvidas que os senhores. Tanto que mandou investigar o Zezé (o ex-policial José Lauriano, que virou alvo de um inquérito instaurado apenas em dezembro do ano passado)”, afirmou.

Na maior parte do tempo Adolfo provocou o promotor. Chamou Henry Vasconcelos de “analfabeto jurídico” e disse que daqui alguns anos o promotor estará “aposentado e defendendo os mesmos que ele chama de bandidos”.

Lucio Adolfo ironizou o penteado do promotor, sua entonação vocal, o “berço” de Vasconcelos e até as preferências pessoais do responsável pela acusação. “O promotor disse que Bruno, que foi goleiro de vários times grandes e da seleção brasileira, era apenas um atleta razoável. O esporte dele deve ser outro”, provocou o advogado.

O objetivo é fazer com que o promotor gaste parte das duas horas às quais tem direito na réplica rebatendo os ataques.

Tanto a acusação quanto a defesa guardaram as melhores armas para as argumentações finais. A promotoria deve aproveitar o tempo para mostrar provas técnicas como os mapas de deslocamentos dos acusados feitos com base nas antenas de telefonia celular e os registros de entrada de carros no sítio de Bruno, em Esmeraldas (MG), para mostrar que o goleiro estava presente na execução de Eliza.

A defesa promete apresentar provas de Macarrão desviava dinheiro do goleiro. “Era o que eu tinha de melhor e guardei para o final”, disse Adolfo.

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