Aos jurados, promotor pede condenação máxima a Bruno e absolvição de Dayanne

Por Carolina Garcia e Ricardo Galhardo - enviados a Contagem (MG) | - Atualizada às

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Para acusação, Dayanne foi manipulada. Já o goleiro não foi poupado pelo promotor: “Mais fácil tirar um dente sem anestesia da boca do que a verdade dessa desgraça", afirmou

O promotor Henry Vasconcelos, responsável pela acusação no julgamento do goleiro Bruno Fernandes, pediu a absolvição da ex-mulher do jogador, Dayanne Rodrigues, acusada pelo sequestro de Bruninho, filho dele com Eliza Samudio. “Dayanne foi manobrada por aqueles marmanjos. Bruno deixou a mãe de suas filhas à mercê de Zezé (o ex-policial José Lauriano). E também não atendeu suas ligações quando ela estava na delegacia. Peço que absolvam Dayanne. Ela não agiu porque estava sendo pressionada e manobrada por Zezé. Ele estava com Bola (o também ex-policial Marcos Aparecido dos Santos) na hora da execução”, disse o promotor.

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Renata Caldeira / TJMG
Promotor (à dir.) fala com Dayanne, observada pelo advogado de defesa, Tiago Lenoir

Enquanto Vasconcelos falava, Dayanne chorava copiosamente. O pedido de absolvição aconteceu antes mesmo da manifestação da defesa da ex-mulher de Bruno. A primeira fase dos debates durou 2h30, período que foi dividido entre promotoria e assistentes. Em sua primeira hora, Henry buscou traçar um perfil do goleiro, que seria “um canalha, criminoso e facínora”. O promotor citou ainda que o goleiro sempre foi envolvido com o narcotráfico e apontou relações do jogador com traficantes do Rio de Janeiro. “Um menino que deixou a favela, que a favela nunca saiu de si.”

Aproximando-se dos jurados, Henry reafirmou a relação de Eliza e Bruno a partir da bilhetagem dos números telefônicos. A partir de dados apreendidos no computador de Eliza, o promotor tentou mostrar ao júri a relação conflituosa do casal. “Terra de Bruno vou só com passagem de ida. Vão me matar lá. Tu ri porque não é contigo. O Bruno é maluco”, disse Eliza à uma amiga em um bate-papo na internet.

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Para a acusação, Eliza foi ao Rio para ser enrolada com promessas de pensão e exame de paternidade. ”Que homem ocupado é esse? Deve ser a profissão que mais demanda atividades. Não tinha tempo para exames, mas não faltavam momentos para os bacanais”. Enfático, Henry pediu a total condenação de Bruno, incluindo todas as qualificadoras do crime. Segundo ele, o goleiro foi um articulador de todos os cenários e “comandou seus protetores”. “Mais fácil tirar um dente sem anestesia da boca do que a verdade dessa desgraça. Nem a defesa dele conseguiu fazer ele confessar”.

Renata Caldeira / TJMG
O goleiro neste último dia de julgamento em Contagem (MG)

Henry continuou ainda a criticar a postura da defesa, que “com um interrogatório mentiroso”, busca a redução de pena do jogador. “Durante todo esse processo, a defesa de Bruno tem sido uma prostituta escarlate. Ora vai para uma, ora vai para outro. Vai para o lado ou se mistura”. A série de ofensas e adjetivos ao réu despertaram risos na plateia. A juíza Marixa Fabiane Rodrigues precisou pedir silêncio no plenário.

Provocações

Bruno e Dayanne acompanharam a apresentação da promotoria e de seus assistentes. Apático, o ex-goleiro tinha momentos em que ficava com a cabeça baixa e outros em que se arrumava na cadeira. Já Dayanne, teve momentos de choro e ansiedade. Ela se manteve atenta durante todo o discurso da promotoria. Com os primeiros botões da camisa aberta, ela colocou a mão no peito e assim permaneceu até o final. Bruno, sempre olhando para baixo, parecia não se importar com os adjetivos e ofensas direcionadas a ele, como outra frase do promotor: "O futebol perdeu o goleiro razoável, mas a dramaturgia ganhou um excelente ator."

Ingrid Calheiros, atual mulher do jogador, por exemplo, viu seu nome e seu casamento ser julgado várias vezes por Henry. “E Bruno lá sabe o que é verdadeiro amor? Nunca conseguiu ficar apenas com uma mulher”. Em outro momento, o promotor leu uma carta que foi enviada por Bruno a Fernanda, sua ex-namorada, de dentro do presídio, com conteúdo pornográfico.

Já noivo de Ingrid à época, o goleiro teria se declarado para Fernanda, que chama de “amor” no texto, pedindo fotos e contando que estava com saudades. Nesse momento, Henry elevou sua voz e olhou para Ingrid, que pareceu não se importar com a provocação. Em um terceiro momento, quando a acusação leu uma mensagem de Eliza, onde comentava as frequentes relações sexuais com o jogador, Ingrid foi vista retocando sua maquiagem.

Advogados de defesa riem na saída do Fórum Criminal de Contagem (MG), após a leitura da sentença. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressO goleiro Bruno no momento em que ouvia a sentença dada pela juíza. Foto: iG São PauloA mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima Moura, durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressJuíza Marixa Lopes Rodrigues faz a leitura da sentença na madrugada de sexta-feira (8). Foto: Marcelo Albert/TJMGEx-goleiro Bruno aguarda leitura da sentença no Fórum Criminal de Contagem (MG) na madrugada desta sexta-feira (8). Foto: Renata Caldeira/TJMGDurante julgamento, que terminou na madrugada desta sexta, Bruno demostrou cansaço e tensão . Foto: Renata Caldeira / TJMGO promotor, Henry Vasconcelos, gesticula durante julgamento do goleiro Bruno . Foto: Marcelo Albert/TJMGPromotor afirmou que esperava que a pena de Bruno ficasse entre 28 e 30 anos. Foto: Marcelo Albert/TJMGAdvogado de defesa, Lúcio Adolfo durante julgamento. Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Foto: Marcelo Albert/TJMGAdvogados de defesa do goleiro Bruno e de Dayanne conversam durante sessão desta quinta-feira. Foto: Renata Caldeira / TJMGEx-mulher de Bruno afirma ter medo de Zezé. Dayanne Rodrigues foi novamente interrogada nesta quinta-feira (7). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno admitiu na manhã desta quinta-feira que sabia que Eliza Samudio seria assassinada. Foto: Renata Caldeira / TJMGDayanne chora durante depoimento no quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG). Foto: Renata Caldeira / TJMGEx-goleiro Bruno durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG), na manhã desta quinta-feira (7). Foto: Pedro Vilela/Futura PressBruno chega ao Fórum criminal de Contagem (MG)nesta quinta-feira (7). Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia"Estou tranquila. Para Deus nada é impossível" , disse a esposa de Bruno, Ingrid Calheiros, no quarto dia de julgamento. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno chora e nega ter mandado matar Eliza . Foto: Renata Caldeira/TJMGBruno chora ao ser interrogado nesta quarta-feira, em Contagem. Foto: Renata Caldeira / TJMGO jogador ouve a pergunta do advogado de defesa, Lúcio Adolfo, no terceiro dia de julgamento. Foto: Marcelo Albert/TJMGBruno chora ao depor nesta quarta-feira, durante o julgamento. Foto: Marcelo Albert/TJMGO goleiro no terceiro dia de julgamento, no Fórum Criminal de Contagem (MG). Foto: Marcelo Albert/TJMG Bruno interrompe depoimento durante julgamento no Fórum de contagem (MG) e chora. Foto: Renata Caldeira / TJMGBruno é interrogado nesta quarta-feira (6) sobre assassinato de Eliza Samudio. Foto: Renata Caldeira/TJMGDayanne acompanha depoimento de ex-marido nesta quarta-feira (6). Foto: Renata Caldeira / TJMGBruno permaneceu de cabeça baixa a maior parte do tempo no julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG). Ex-goleiro dá depoimento sobre assassinato de Eliza Samudio nesta quarta-feira (6). Foto:  Pedro Vilela/Futura PressEx-goleiro Bruno durante julgamento nesta quarta-feira (6). Foto: Bernardo Salce/Futura PressA ex-namorada de Luiz Henrique Ferreira Romão, em frente ao fórum Criminal de Contagem. Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Futura PressO promotor Henry Vasconcelos (E) e a juíza Marixa Rodrigues durante o terceiro dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG). Foto: Pedro Vilela/Futura PressBruno e Dayanne acompanham trechos de vídeos sobre o caso. Foto: Renata Caldeira / TJMGO advogado Lúcio Adolfo, durante sessão do júri, ao lado da atual mulher de Bruno, Ingrid Oliveira. Foto: Marcelo Albert/TJMGA ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, neste segundo dia de julgamento. Foto: Renata Caldeira / TJMGAo fundo, Bruno e Dayanne acompanham o depoimento de Célia. Foto: Renata Caldeira / TJMGIngrid Calheiros aguarda julgamento ser iniciado nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaDayanne Rodrigues, julgada pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio, demostra cansaço nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaBruno e Dayanne aguardam início do julgamento nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaEx-goleiro Bruno chora durante julgamento na manhã desta terça-feira (5). Foto: Douglas Magno/O Tempo/Futura PressÉrcio Quaresma (E), advogado de Bola, e José Arteiro, advogado da família de Eliza Samudio, conversam na entrada do Fórum de Contagem (MG). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaAdvogado de Bruno, Lucio Adolfo chega Fórum de Contagem (MG) para o julgamento do caso Bruno. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressMulher do ex-goleiro Bruno, Ingrid Calheiros após falar com imprensa na entrada do do Fórum de Contagem (MG). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressMulher do ex-goleiro Bruno, Ingrid Calheiros fala com a imprensa na chegada ao Fórum de Contagem. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressChegada do ex-goleiro Bruno no Fórum de Contagem (MG) nesta terça-feira contou com o apoio de policiais. Foto: Pedro Vilela/Futura PressCuriosos observam movimentação em frente ao Fórum de Contagem (MG) nesta terça-feira (5). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno chora durante julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura PressAdvogado Tiago Lenoir mostra trecho da bíblia a Bruno em julgamento em Contagem. Foto: Rodrigo Lima/O Tempo/Futura PressBruno fica de cabeça baixa no plenário onde é realizado o julgamento. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressUma das poucas vezes que o goleiro ergueu a cabeça no início do primeiro dia de julgamento. Foto: Renata Caldeira/TJMGBruno e Dayanne durante sessão desta segunda-feira, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Foto: Renata Caldeira / TJMGMãe de Eliza Samudio Sonia Samudio chega para o julgamento no Fórum de Contagem (MG) nesta segunda-feira (4). Foto: Futura PressFórum de Contagem, em Minas Gerais, recebe reforço na segurança por causa do julgamento do ex-goleiro Bruno. Foto: Futura PressGilmara Oliveira, de 35 anos, protesta em frente ao Fórum de Contagem (MG), na manhã desta segunda-feira (4). Foto: Futura PressMulher de Bruno, Ingrid Calheiros chega para o julgamento ao Fórum de Contagem (MG), nesta segunda-feira (4). Foto: Futura PressEx-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues é acusada de sequestro e cárcere de Bruninho. Foto: Futura PressÉrcio Quaresma chega para o julgamento no Fórum de Contagem (MG), na manhã desta segunda-feira (4). Foto: Futura PressJosé Arteiro é advogado da família de Eliza Samudio. Foto: Samuel Costa/Hoje Em Dia/Futura PressLucio Adolfo é advogado do ex-goleiro Bruno. Foto: Samuel Costa/Hoje Em Dia/Futura Press

Acordo

Segundo fontes ligadas à defesa e ao Ministério Público, o pedido de absolvição do promotor é fruto de um acordo pelo qual Dayanne entregaria Zezé em troca da absolvição. Na manhã desta quinta-feira a defesa pediu que Dayanne fosse interrogada novamente. No novo depoimento, ela disse que Zezé participou do assassinato de Eliza. O ex-policial é alvo de um inquérito que apura sua participação no crime.

Ao deixar o fórum para o período de almoço, Sônia Fátima de Moura, mãe de Eliza, mostrou-se descontente com o desenrolar dos trabalhos. “Não gostei. Estou decepcionada e indignada”, disse. Com o final do intervalo, a defesa dos réus terá outras 2h30 para explicar aos jurados sua versão dos fatos. Após isso, promotoria poderá decidir pela réplica, o que garante a defesa uma tréplica. Feito isso, os jurados serão levados para uma sala reservada e deverão decidir o futuro dos réus.

Réplica

Após ouvir por cerca de duas horas os advogados de Bruno e Dayanne apresentarem suas defesas, o promotor Henry Vasconcelos voltou a falar aos jurados. Ele deu preferência a apresentar documentos que rebatiam teses da defesa. Em um dos momentos mais marcantes, ele apresentou o albuns de fotos de Eliza, com imagens de Bruninho, que foi parcialmente queimado no sítio de Bruno, o que emocionou alguns jurados.

José Arteiro, advogado da mãe de Eliza, fechou a réplica da acusação com críticas a Bruno, a seus advogados e frases de impacto. Segundo ele, "se o Bruno sair daqui em condições de ser solto, nosso país vai virar um cemitério de mulheres".

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