Prima de Bruno muda versão dada à polícia e piora situação do goleiro

Por Carolina Garcia e Ricardo Galhardo - enviados a Contagem (MG) | - Atualizada às

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Célia Aparecida Rosa Sales deveria falar sobre como Eliza era bem tratada pela família. Mas seu relato bate com investigação policial e com o depoimento dado por Macarrão em 2012

Convocada pela defesa, mas ouvida na condição de informante, já que mantém parentesco e laço afetivo com o goleiro Bruno, Célia Aparecida Rosa Sales, citada no processo como ‘Celião’, foi ouvida por mais de duas horas nesta terça-feira (05) no Fórum Criminal de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Prima do goleiro Bruno Fernandes e irmã de Sérgio Rosa Sales, réu que foi morto no ano passado, Célia surpreendeu o júri ao reconstruir sua versão e a participação da família no desaparecimento da ex-amante do jogador. “Antes [em 2010 à polícia] falei o que deu na cabeça porque tinha medo de ser presa”, explicou à juíza Marixa Fabiane Rodrigues.

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Renata Caldeira / TJMG
Ao fundo, Bruno e Dayanne acompanham o depoimento de Célia


Presente no sítio no mesmo período que Eliza, o depoimento de Célia, seguindo uma estratégia da defesa, serviria para mostrar que a vítima era bem tratada e tinha um bom relacionamento com a família do goleiro e com a própria Dayanne Rodrigues, recente ex-mulher do goleiro. “Cheguei [ao sítio] e ela estava na sacada tomando sol com Bruninho e logo depois almoçamos. Ela até se ofereceu para cozinhar polenta. Todas [Célia, Dayanne e Eliza] almoçamos juntas. E fomos para a piscina”, disse Célia explicando que as filhas de Bruno e Dayanne - Maria Eduarda e Bruna - interagiam com o bebê e que o chamavam de “irmão”. “Bruno tinha o sonho de ter um filho homem e o apresentava como filho”.

No dia 10 de junho, que segundo a denúncia seria o dia do crime, Célia disse ter visto Eliza deixar o sítio em uma Ecosport com Macarrão e Jorge. “Ela estava indo para o apartamento que havia ganhado de Bruno. Ele estava lá e se despediu dela. Eliza disse: ‘Tchau, Bruno’. E ele respondeu: Tchau, vai com Deus”. O texto da denúncia cita que eles seguiram para Vespasiano (MG), casa de Bola, considerado o executor da modelo. A versão também bate como depoimento dado por Macarrão no ano passado.

Célia também confirmou que momentos depois Macarrão e Jorge voltaram ao sítio apenas com o Bruninho. “Eles falaram que ela precisou ir para São Paulo e que pediu para cuidarmos do bebê”.

Macarrão manda ou pede?

Tratada pela defesa como “um exemplo de mãe”, Dayanne foi inúmeras vezes recolocada na história como a responsável pelos cuidados com o filho de Eliza. Célia confirmou que a criança foi deixada na casa da mãe da acusada e que, após ordem de Macarrão, Dayanne teria pedido para a testemunha buscá-lo. Ele seria entregue para Coxinha, amigo e funcionário de Bruno, no acostamento da BR. Após o pedido, a testemunha disse ter ido com a criança no colo até o local indicado por Macarrão e seu tio, pai de Jorge Luis Rosa, que dirigia o veículo.

“Quando chegamos, Coxinha veio e pegou Bruninho do meu colo. Não sei de onde Dayanne saiu, mas ela apareceu e entrou no nosso carro. Ela precisava voltar para a casa da mãe, se arrumar e ir até a delegacia [na ocasião, havia rumores na imprensa que a mulher do goleiro estava desaparecida. Dayanne, então, informaria que estava viva e bem.]

“Macarrão mandou ou pediu, Célia?”, questionou o promotor Hnery Vasconcelos. “Macarrão realmente mandava em Bruno e Dayanne?”, indagou. A pergunta gerou tumulto no plenário. Como citado inúmeras vezes no processo, Macarrão, além de amigo do réu, prestava serviços ao goleiro e sua então mulher. Em novembro, durante seu interrogatório, Macarrão se referia a Dayanne como a ‘patroa’. “Ele pediu”, corrigiu Célia.

Aos jornalistas, o promotor se mostrou satisfeito com o depoimento que teria se virado contra a defesa. “O verbo ali foi extremamente importante já que define a relação entre os personagens da ação. Tios, primos e próximos mantinham fidelidade ao casal Bruno e Dayanne. E tinham que reportar tudo tinha a ver com Bruninho. Entre todos os celulares, o único periciado foi o de Dayanne e nele podemos encontrar mensagens de texto e ligações comprovando essa relação de patrão e funcionário”, explicou. Célia deixou o plenário chorando.

Neste segundo dia de júri popular, a fase de oitivas das testemunhas foi encerrada. Após o almoço, começou a ser lido o testemunho de Renata Garcia da Costa, assistente-social, que foi ouvida em Tangará da Serra, em Mato Grosso. A promotoria ainda vai apresentar duas horas de material audiovisual – incluindo a entrevista de Jorge ao Fantástico da TV Globo. A defesa informou que não apresentará vídeos, mas pediu a leitura de algumas peças do processo, como por exemplo, o laudo psicológico do então menor e análise dos cachorros de Bola. Ao final dessas apresentações, Dayanne deverá ser interrogada pela juíza. O momento mais esperado pelo júri, o posicionamento de Bruno, deve ser ouvido nesta quarta-feira.

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