Membro da defesa do goleiro afirmou que se surgir uma nova prova "podemos perfeitamente compreender a nova realidade, mas ela não existe na prática hoje, agora"

O advogado de defesa do goleiro Bruno Fernandes, Lucio Adolfo, admitiu de maneira obliqua, na noite de segunda-feira (04), depois do primeiro dia de julgamento do assassinato de Eliza Samudio, que o ex-jogador do Flamengo pode admitir uma participação menor no crime caso surjam novas provas contra ele no curso do processo.

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O goleiro neste primeiro dia de julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG)
Renata Caldeira/TJMG
O goleiro neste primeiro dia de julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG)

“O momento final da prova é quando os acusados falam. Não quero dizer que quando ele estiver preparado para fazer alguma revelação que possa conduzir para o reconhecimento de alguma circunstância minorante, uma participação diferenciada, de menor importância. Isso é do plano jurídico. Se a prova produzida encaminhar neste sentido nós podemos perfeitamente compreender a nova realidade mas ela não existe na prática hoje, agora”, disse Adolfo.

O advogado reagiu com ironia quando questionado se o depoimento de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, não seria prova suficiente. Na primeira fase do julgamento Macarrão disse que Bruno foi o mandante do assassinato.

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O promotor Henry Vasconcelos disse não trabalhar com a hipótese de confissão. “A confissão de Bruno Fernandes não é importante para que a promotoria prove sua participação no crime”, disse o promotor, argumentando que a acusação tem provas como ligações telefônicas e o percurso percorrido por Eliza e seus algozes antes do assassinato que seriam suficientes para a condenação.

Vasconcelos negou a acusação da defesa de que tenha feito um acordo para reduzir a pena de Macarrão em troca do depoimento contra Bruno. “Não existe acordo. A redução de pena é automática quando o réu confessa sua participação, mesmo que parcial, e fornece dados que esclareçam os fatos”, afirmou o promotor.

A mãe de Eliza, Sonia de Moura, disse ser contra qualquer possibilidade de acordo. “Se houver acordo eu não concordo. Nem se ele disser onde está o corpo. Quero ver o Bruno condenado”, disse ela.

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