Em depoimento longo, delegada tem 'amizades' questionadas por defensores

Por Carolina Garcia e Ricardo Galhardo - enviados a Contagem (MG) |

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Única testemunha a ser ouvida neste primeiro dia, policial reproduziu o depoimento dado à polícia por Jorge Luiz Lisboa Rosa, testemunha do caso que acusou Bruno e mudou a versão

A equipe de defensores do ex-goleiro Bruno Fernandes e Dayanne Rodrigues, que respondem pelo envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, deixou o Fórum Criminal de Contagem, em Minas Gerais, com expressão de dever cumprido. Depois de surpresas com a dispensa de testemunhas, o primeiro de júri popular do goleiro contou com o depoimento de mais de cinco horas, entre 14h e pouco depois das 19h, da delegada Ana Maria dos Santos, que chefiava o Departamento de Homicídios da Polícia Civil de Belo Horizonte em 2010.

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Renata Caldeira/TJMG
O goleiro neste primeiro dia de julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG)

Ao ser questionada pela promotoria, Ana Maria confirmou e reproduziu todo o depoimento dado à polícia por Jorge Luiz Lisboa Rosa, então menor de idade, à época do crime. Isso foi necessário e uma estratégia da promotoria já que Jorge não será ouvido durante esta fase do júri popular. A informação foi confirmada ao iG pelo assistente de acusação Cidnei Karpisnki, defensor do pai de Eliza Samudio. Segundo Karpisnki, a acusação poderia insistir em convocar Jorge para ser ouvido, no entanto, provocaria uma paralisação no júri.

Após reproduzir o depoimento do primo do goleiro nas primeiras duas horas de oitiva, Ana Maria passou a ser confrontada pela defesa dos réus. Lúcio Adolfo da Silva, que encabeça a defesa de Bruno, passou a questionar diversos pontos da investigação e a analisar a ligação da testemunha com importantes personagens do caso. Quando jovem e ainda estagiária de uma cervejaria, em Nova Lima (MG), Ana Maria conheceu José Lauriano, o Zezé, um dos investigados no caso, que chefiava uma divisão policial na cidade. Anos antes, em 1994, a policial se formou na faculdade de direito e tinha como colega Marixa Fabiane Rodrigues, juíza que coordena as audiências do caso desde o início. Além disso, Ana Maria realizou pós-graduação com Tiago Lenoir e foram definidos como “grandes colegas” por Lúcio Adolfo.

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Segundo especialistas que acompanham os trabalhos, as conexões apontadas pela defesa buscavam tirar credibilidade da policial, como “se as relações pessoais da delegada pudessem comprometer o seu trabalho na investigação”. Outro ponto combatido pelos advogados, foi o fato de Bruninho, então com quatro meses e conhecido como Ryan Yuri, ter sido encontrado em um bairro de Ribeirão das Neves, mas ser levado para a Comarca de Contagem. “Se uma criança é encontrada em Ribeirão das Neves para qual comarca ela deverá ser levada? Só  Contagem tem Comarca, doutora?”, questionou Adolfo. Há rumores que a policial seria amiga próxima de uma juíza de Contagem e que isso teria motivado a decisão.

Advogados de defesa riem na saída do Fórum Criminal de Contagem (MG), após a leitura da sentença. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressO goleiro Bruno no momento em que ouvia a sentença dada pela juíza. Foto: iG São PauloA mãe de Eliza Samudio, Sônia Fátima Moura, durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressJuíza Marixa Lopes Rodrigues faz a leitura da sentença na madrugada de sexta-feira (8). Foto: Marcelo Albert/TJMGEx-goleiro Bruno aguarda leitura da sentença no Fórum Criminal de Contagem (MG) na madrugada desta sexta-feira (8). Foto: Renata Caldeira/TJMGDurante julgamento, que terminou na madrugada desta sexta, Bruno demostrou cansaço e tensão . Foto: Renata Caldeira / TJMGO promotor, Henry Vasconcelos, gesticula durante julgamento do goleiro Bruno . Foto: Marcelo Albert/TJMGPromotor afirmou que esperava que a pena de Bruno ficasse entre 28 e 30 anos. Foto: Marcelo Albert/TJMGAdvogado de defesa, Lúcio Adolfo durante julgamento. Bruno foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão. Foto: Marcelo Albert/TJMGAdvogados de defesa do goleiro Bruno e de Dayanne conversam durante sessão desta quinta-feira. Foto: Renata Caldeira / TJMGEx-mulher de Bruno afirma ter medo de Zezé. Dayanne Rodrigues foi novamente interrogada nesta quinta-feira (7). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno admitiu na manhã desta quinta-feira que sabia que Eliza Samudio seria assassinada. Foto: Renata Caldeira / TJMGDayanne chora durante depoimento no quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG). Foto: Renata Caldeira / TJMGEx-goleiro Bruno durante o quarto dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG), na manhã desta quinta-feira (7). Foto: Pedro Vilela/Futura PressBruno chega ao Fórum criminal de Contagem (MG)nesta quinta-feira (7). Foto: Alexandre Brum / Agência O Dia"Estou tranquila. Para Deus nada é impossível" , disse a esposa de Bruno, Ingrid Calheiros, no quarto dia de julgamento. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno chora e nega ter mandado matar Eliza . Foto: Renata Caldeira/TJMGBruno chora ao ser interrogado nesta quarta-feira, em Contagem. Foto: Renata Caldeira / TJMGO jogador ouve a pergunta do advogado de defesa, Lúcio Adolfo, no terceiro dia de julgamento. Foto: Marcelo Albert/TJMGBruno chora ao depor nesta quarta-feira, durante o julgamento. Foto: Marcelo Albert/TJMGO goleiro no terceiro dia de julgamento, no Fórum Criminal de Contagem (MG). Foto: Marcelo Albert/TJMG Bruno interrompe depoimento durante julgamento no Fórum de contagem (MG) e chora. Foto: Renata Caldeira / TJMGBruno é interrogado nesta quarta-feira (6) sobre assassinato de Eliza Samudio. Foto: Renata Caldeira/TJMGDayanne acompanha depoimento de ex-marido nesta quarta-feira (6). Foto: Renata Caldeira / TJMGBruno permaneceu de cabeça baixa a maior parte do tempo no julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG). Ex-goleiro dá depoimento sobre assassinato de Eliza Samudio nesta quarta-feira (6). Foto:  Pedro Vilela/Futura PressEx-goleiro Bruno durante julgamento nesta quarta-feira (6). Foto: Bernardo Salce/Futura PressA ex-namorada de Luiz Henrique Ferreira Romão, em frente ao fórum Criminal de Contagem. Foto: Lucas Prates/Hoje em Dia/Futura PressO promotor Henry Vasconcelos (E) e a juíza Marixa Rodrigues durante o terceiro dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG). Foto: Pedro Vilela/Futura PressBruno e Dayanne acompanham trechos de vídeos sobre o caso. Foto: Renata Caldeira / TJMGO advogado Lúcio Adolfo, durante sessão do júri, ao lado da atual mulher de Bruno, Ingrid Oliveira. Foto: Marcelo Albert/TJMGA ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, neste segundo dia de julgamento. Foto: Renata Caldeira / TJMGAo fundo, Bruno e Dayanne acompanham o depoimento de Célia. Foto: Renata Caldeira / TJMGIngrid Calheiros aguarda julgamento ser iniciado nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaDayanne Rodrigues, julgada pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio, demostra cansaço nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaBruno e Dayanne aguardam início do julgamento nesta terça-feira (5). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaEx-goleiro Bruno chora durante julgamento na manhã desta terça-feira (5). Foto: Douglas Magno/O Tempo/Futura PressÉrcio Quaresma (E), advogado de Bola, e José Arteiro, advogado da família de Eliza Samudio, conversam na entrada do Fórum de Contagem (MG). Foto: Alexandre Brum / Agência O DiaAdvogado de Bruno, Lucio Adolfo chega Fórum de Contagem (MG) para o julgamento do caso Bruno. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressMulher do ex-goleiro Bruno, Ingrid Calheiros após falar com imprensa na entrada do do Fórum de Contagem (MG). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressMulher do ex-goleiro Bruno, Ingrid Calheiros fala com a imprensa na chegada ao Fórum de Contagem. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressChegada do ex-goleiro Bruno no Fórum de Contagem (MG) nesta terça-feira contou com o apoio de policiais. Foto: Pedro Vilela/Futura PressCuriosos observam movimentação em frente ao Fórum de Contagem (MG) nesta terça-feira (5). Foto: Cristiane Mattos/Futura PressBruno chora durante julgamento no Fórum de Contagem. Foto: Alex de Jesus/O Tempo/Futura PressAdvogado Tiago Lenoir mostra trecho da bíblia a Bruno em julgamento em Contagem. Foto: Rodrigo Lima/O Tempo/Futura PressBruno fica de cabeça baixa no plenário onde é realizado o julgamento. Foto: Cristiane Mattos/Futura PressUma das poucas vezes que o goleiro ergueu a cabeça no início do primeiro dia de julgamento. Foto: Renata Caldeira/TJMGBruno e Dayanne durante sessão desta segunda-feira, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Foto: Renata Caldeira / TJMGMãe de Eliza Samudio Sonia Samudio chega para o julgamento no Fórum de Contagem (MG) nesta segunda-feira (4). Foto: Futura PressFórum de Contagem, em Minas Gerais, recebe reforço na segurança por causa do julgamento do ex-goleiro Bruno. Foto: Futura PressGilmara Oliveira, de 35 anos, protesta em frente ao Fórum de Contagem (MG), na manhã desta segunda-feira (4). Foto: Futura PressMulher de Bruno, Ingrid Calheiros chega para o julgamento ao Fórum de Contagem (MG), nesta segunda-feira (4). Foto: Futura PressEx-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues é acusada de sequestro e cárcere de Bruninho. Foto: Futura PressÉrcio Quaresma chega para o julgamento no Fórum de Contagem (MG), na manhã desta segunda-feira (4). Foto: Futura PressJosé Arteiro é advogado da família de Eliza Samudio. Foto: Samuel Costa/Hoje Em Dia/Futura PressLucio Adolfo é advogado do ex-goleiro Bruno. Foto: Samuel Costa/Hoje Em Dia/Futura Press

A defesa do jogador busca também tirar força do depoimento de Jorge Luiz Lisboa Rosa, retomado com força ao caso após entrevista à TV Globo. Inúmeras vezes durante seu depoimento, Ana Maria ressaltou sua confiança no teor do depoimento do jovem, que alterou sua versão ao menos cinco vezes no processo. "Senti confiança no depoimento dele sim", disse Ana Maria. “A senhora confia em um jovem que tem histórico de drogas e mudou sua versão diversas vezes no caso? E que denunciou a senhora por pressioná-lo?”, indagou Adolfo. Pressionada, a policial cedeu: “Investigados mentem para se protegerem”, disse. “Ah, sim, mentem mesmo”, concluiu o advogado.

“Em mais de cinco horas de depoimento, ela [Ana Maria] não cita o nome do Bruno. Fico surpreso como dona Ana Maria lembraria de pontos tão específicos do processo de dois anos e oito meses atrás. Em alguns pontos, a defesa precisou mostrar as provas nos autos. Primeiro dia foi muito positivo”, analisou Lenoir ao deixar o salão do júri.

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