Única testemunha a ser ouvida neste primeiro dia, policial reproduziu o depoimento dado à polícia por Jorge Luiz Lisboa Rosa, testemunha do caso que acusou Bruno e mudou a versão

A equipe de defensores do ex-goleiro Bruno Fernandes e Dayanne Rodrigues, que respondem pelo envolvimento no desaparecimento de Eliza Samudio, deixou o Fórum Criminal de Contagem, em Minas Gerais, com expressão de dever cumprido. Depois de surpresas com a dispensa de testemunhas , o primeiro de júri popular do goleiro contou com o depoimento de mais de cinco horas, entre 14h e pouco depois das 19h, da delegada Ana Maria dos Santos, que chefiava o Departamento de Homicídios da Polícia Civil de Belo Horizonte em 2010.

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O goleiro neste primeiro dia de julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG)
Renata Caldeira/TJMG
O goleiro neste primeiro dia de julgamento no Fórum Criminal de Contagem (MG)

Ao ser questionada pela promotoria, Ana Maria confirmou e reproduziu todo o depoimento dado à polícia por Jorge Luiz Lisboa Rosa, então menor de idade, à época do crime. Isso foi necessário e uma estratégia da promotoria já que Jorge não será ouvido durante esta fase do júri popular. A informação foi confirmada ao iG pelo assistente de acusação Cidnei Karpisnki, defensor do pai de Eliza Samudio. Segundo Karpisnki, a acusação poderia insistir em convocar Jorge para ser ouvido, no entanto, provocaria uma paralisação no júri.

Após reproduzir o depoimento do primo do goleiro nas primeiras duas horas de oitiva, Ana Maria passou a ser confrontada pela defesa dos réus. Lúcio Adolfo da Silva, que encabeça a defesa de Bruno, passou a questionar diversos pontos da investigação e a analisar a ligação da testemunha com importantes personagens do caso. Quando jovem e ainda estagiária de uma cervejaria, em Nova Lima (MG), Ana Maria conheceu José Lauriano, o Zezé, um dos investigados no caso, que chefiava uma divisão policial na cidade. Anos antes, em 1994, a policial se formou na faculdade de direito e tinha como colega Marixa Fabiane Rodrigues, juíza que coordena as audiências do caso desde o início. Além disso, Ana Maria realizou pós-graduação com Tiago Lenoir e foram definidos como “grandes colegas” por Lúcio Adolfo.

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Segundo especialistas que acompanham os trabalhos, as conexões apontadas pela defesa buscavam tirar credibilidade da policial, como “se as relações pessoais da delegada pudessem comprometer o seu trabalho na investigação”. Outro ponto combatido pelos advogados, foi o fato de Bruninho, então com quatro meses e conhecido como Ryan Yuri, ter sido encontrado em um bairro de Ribeirão das Neves, mas ser levado para a Comarca de Contagem. “Se uma criança é encontrada em Ribeirão das Neves para qual comarca ela deverá ser levada? Só  Contagem tem Comarca, doutora?”, questionou Adolfo. Há rumores que a policial seria amiga próxima de uma juíza de Contagem e que isso teria motivado a decisão.

A defesa do jogador busca também tirar força do depoimento de Jorge Luiz Lisboa Rosa, retomado com força ao caso após entrevista à TV Globo . Inúmeras vezes durante seu depoimento, Ana Maria ressaltou sua confiança no teor do depoimento do jovem, que alterou sua versão ao menos cinco vezes no processo. "Senti confiança no depoimento dele sim", disse Ana Maria. “A senhora confia em um jovem que tem histórico de drogas e mudou sua versão diversas vezes no caso? E que denunciou a senhora por pressioná-lo?”, indagou Adolfo. Pressionada, a policial cedeu: “Investigados mentem para se protegerem”, disse. “Ah, sim, mentem mesmo”, concluiu o advogado.

“Em mais de cinco horas de depoimento, ela [Ana Maria] não cita o nome do Bruno. Fico surpreso como dona Ana Maria lembraria de pontos tão específicos do processo de dois anos e oito meses atrás. Em alguns pontos, a defesa precisou mostrar as provas nos autos. Primeiro dia foi muito positivo”, analisou Lenoir ao deixar o salão do júri.

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