Ex-goleiro é julgado pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio no Fórum Criminal de Contagem, em Minas Gerais

Bruno fica de cabeça baixa no plenário onde é realizado o julgamento
Cristiane Mattos/Futura Press
Bruno fica de cabeça baixa no plenário onde é realizado o julgamento

O ex-goleiro Bruno Fernandes entrou no salão do júri, no Fórum Criminal de Contagem, em Minas Gerais, pouco antes do sorteio de jurados ser realizado. Com o conhecido uniforme vermelho da Subsecretaria de Administração Prisional (Suapi) e chinelos, o jogador optou por ficar de cabeça baixa e não olhar para a plateia, como fez na primeira fase do julgamento do caso, em novembro do ano passado. E assim Bruno permaneceu por mais de 10 minutos.

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Entre choros e cumprimentos, que recebia dos advogados de defesa no plenário, Bruno manteve o olhar fixo para o chão e evitou olhar para a ex-mulher, também ré no processo e que está sentada ao seu lado, Dayanne Rodrigues. Em certo momento, Dayanne até arriscou olhar para o ex, mas não foi correspondida. Vestindo uma camisa branca e calça jeans, Dayanne agora apresenta cabelos mais longos que há três meses.

Após alguns minutos, Lúcio Adolfo da Silva, responsável pela defesa de Bruno, pediu a autorização da juíza Marixa Fabiane Rodrigues para oferecer uma bíblia ao seu cliente. Bruno aceitou, abriu o zíper do livro e passou a folheá-lo, como se buscasse um trecho específico. Sem sucesso, recebeu o conforto da sua atual mulher, Ingrid Calheiros, que o observava atentamente da plateia desde sua entrada.

Ao receber autorização para aproximar-se do réu, Ingrid chegou até Bruno e lhe deu um beijo. Os dois começaram a conversar, Ingrid com a mão na perna e rosto de Bruno. O encontro durou pouco mais de três minutos e o jogador voltou a encarar o piso e a manusear a bíblia. Foi, então, auxiliado pelo seu outro defensor Tiago Lenoir, que indicou um trecho. "Leia esse aqui", disse o advogado. Com um lenço, cedido pelos seus defensores, Bruno enxugou as lágrimas e leu o texto.

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A postura do réu surpreendeu a todos no plenário já que em muitas situações do caso Eliza Samudio ele foi visto com a cabeça erguida e mantendo contato visual com os jornalistas. Ao iG , dias antes do júri, Lenoir chegou a comentar que seu cliente "não era arrogante como todos pensam". "Ele entra com a cabeça erguida assim porque não deve nada e não tem medo", disse à epoca. Há rumores que Bruno teria mudado sua postura por uma orientação de sua defesa a fim de mudar a imagem do jogador diante dos jurados.

Conselho de Sentença

Os réus acompanharam o sorteio do Conselho de Sentença, composto por sete moradores da cidade de Contagem (MG). Ao serem sorteados, os jurados foram colocados em mesas ao lado do promotor Henry Vasconcelos e os assistentes de acusação. Após sorteio e uso de vetos, cada réu e promotoria têm direito a três eliminações, o conselho foi formado. No total, cinco mulheres e dois homens decidirão o futuro de Bruno e Dayanne.

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