Defensor pede "reprimenda proporcional" para Macarrão

Segundo o advogado Leonardo Diniz, que defende o ex-braço-direito do goleiro Bruno, ele deveria ser absolvido dos crimes de sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver

Ricardo Galhardo e Carolina Garcia - enviados a Contagem (MG) | - Atualizada às

O advogado Leonardo Diniz, defensor de Luiz Henrique Romão, o Macarrão, pediu uma “reprimenda proporcional” ao ex-braço-direito do goleiro Bruno Fernandes. “Que seja lhe aplicada uma reprimenda mas que esta reprimenda seja justa e proporcional ao que realmente ocorreu”, disse o advogado aos sete jurados que vão decidirão o destino de Macarrão.

Saiba tudo sobre o julgamento
1º dia: Desgastante, primeiro dia de julgamento do caso Bruno é pouco produtivo
2º dia: Decisão de Bruno e denúncia de promotor surpreendem no 2º dia de julgamento
3º dia: Depoimento de Macarrão encerra o dia mais longo do julgamento
4º dia: Fernanda assume ter mentido ao depor e diz que não via Eliza como rival

Divulgação/TJMG
Quinto dia do julgamento do caso Eliza Samudio, realizado no fórum de Contagem

Ele é acusado de homicídio triplamente qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação do cadáver de Eliza Samudio, mãe do filho do jogador. Diniz pediu que ele seja absolvido dos crimes de sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver.

Em depoimento prestado na madrugada de quarta-feira, Macarrão confessou ter entregue Eliza nas mãos dos assassinos contratados por Bruno mas negou ter acompanhado a execução do crime .

O principal ponto da argumentação oral do advogado foi a tentativa de desacreditar a quebra de sigilo telefônico de Macarrão. Os telefonemas, segundo o promotor Henry Wagner Vasconcelos, derrubam a versão do acusado, pois mostram que ele continuou em contato com os criminosos depois de entregar a vítima.

Diniz tentou desqualificar a quebra de sigilo mostrando aos jurados que a relação de ligações foi enviada de forma irregular diretamente da operadora telefônica para o email de um dos delegados do caso.

“Não tem um carimbo que seja. Por que? Porque foi impresso pelo delegado de polícia. Qual a credibilidade dessas provas? Quem garante que estas relações são verdadeiras?”, disse o advogado.

Além disso, o defensor de Macarrão abordou a fragilidade do tripé que compõe tecnicamente a acusação formado de provas testemunhais, periciais e documentais.

Ele usou os depoimentos dos pais do então menor de 18 anos Jorge Lisboa Rosa dizendo que ele é “mentiroso” e “viciado”.

“As provas do Ministério Público estão embasadas no depoimento de uma pessoa mentirosa. E isso equacionado com o uso de entorpecentes. O menor, a cada depoimento na delegacia, dava uma versão diferente”, afirmou.

Em um dos depoimentos, Jorge disse que o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, esquartejou o corpo de Eliza e atirou uma das mãos para os cachorros.

“O menor Jorge foi lá e falou um fato para lá de extraordinário, um fato para filmes de Hollywood, filmes de péssimo gosto, eu diria”, disse o advogado.

Diniz também tentou criar uma imagem de jovem humilde, cuja paixão pelo futebol provocou uma relação de idolatria em relação ao amigo de infância Bruno.

Embora o júri seja formado por seis mulheres e apenas um homem, o advogado iniciou sua fala citando a forte relação do brasileiro com o futebol. “A maior marca deste País na sua construção histórica é ser o país do futebol. Pelé, o maior jogador do mundo, é mineiro de Três Corações”, disse Diniz. “Cultura e até religião, o futebol nos permeia, está adentrado me nosso sangue. Que garoto um dia não sonhou em ser um jogador de futebol? É nesse contexto que se insere Macarrão. Em Ribeirão das Neves, ainda pequeno, engrossava as peneiras de campos de futebol, sonhava em ser goleiro, até conhecer Bruno Fernandes. Então, pelo sucesso do jovem Bruno, começou uma admiração até idolatra-lo”, completou.

Acusação:  Para promotor, Macarrão é 'facínora' e Fernanda sabia do sequestro de Eliza

Fernanda

A advogada Carla Cilene Cardoso, que defende Fernanda Gomes, ex-namorada de Bruno acusada de sequestro e cárcere privado de Eliza e seu filho, Bruninho, embasou sua argumentação na suposta falta de provas contra sua cliente. “Nenhuma testemunha incriminou Fernanda”, disse ela.

Carla também tentou desqualificar a investigação conduzida pelo delegado Edson Moreira (eleito vereador em Contagem), citando um levantamento feito pelo Conselho Nacional do Ministério Público no qual Minas Gerais aparece em último lugar no ranking nacional de eficiência nas investigações de homicídios.

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