Em depoimento, ex-braço direito de Bruno confessou parcialmente ter participado do sumiço de Eliza Samudio e acusou goleiro de ser o mandante do crime

Uma articulação que envolveu a juíza Marixa Rodrigues, o promotor Henry Wagner Vasconcelos e o advogado Leonardo Diniz viabilizou o depoimento de Luiz Henrique Romão, o Macarrão , ex-braço direito do goleiro Bruno Fernandes, na madrugada desta quinta-feira. Macarrão confessou parcialmente ter participado do sumiço da modelo Eliza Samudio e acusou Bruno de ser o mandante do crime.

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Macarrão recebe o carinho da avó, no fim da sessão do segundo dia do julgamento, no fórum de Contagem
Vagner Antônio/TJMG
Macarrão recebe o carinho da avó, no fim da sessão do segundo dia do julgamento, no fórum de Contagem


Em troca da colaboração, Macarrão será contemplado com os benefícios legais da confissão e, segundo fontes do Judiciário, pode contar com a boa vontade da juíza na hora de definir a dosimetria da pena. Estas fontes calculam que Macarrão pode ser condenado a cerca de 14 anos de prisão. Como já cumpriu dois anos e meio, pode ir para o regime semiaberto em um ou dois anos.

Na manhã de quarta-feira a defesa de Macarrão sinalizou ao promotor que o réu pretendia incriminar Bruno. A condição era de que o depoimento acontecesse no mesmo dia. Macarrão tinha medo de passar a noite na penitenciária e ser alvo de ameaças ou atentados por parte do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor do suposto assassinato de Eliza.

“Tanto é que um dos advogados de Bola esteve aqui no fórum para tentar evitar que o depoimento acontecesse hoje”, disse o promotor. “É claro que ele tem medo de ser morto pelo Bola”, completou.

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A juíza Marixa entrou no circuito marcando para o final da noite de quarta-feira o início do depoimento apesar do cansaço de todos os envolvidos no julgamento, que se arrastava desde as 9h. O depoimento de Macarrão começou depois das 23h e durou quase cinco horas.

Toda manobra foi cercada de sigilo. Para dissimular a estratégia, espalharam a versão de que a decisão de continuar os trabalhos madrugada a dentro era um pedido dos jurados, interessados em voltar o quanto antes para suas casas. Todas as partes negavam oficialmente o acordo.

Depois do depoimento, o promotor comemorou o sucesso da manobra. Segundo ele, pela primeira vez um participante direto (e vivo) do crime aponta a responsabilidade de Bruno.

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“Foi uma confissão muitíssimo inteligente”, disse o promotor. “A promotoria já esperava uma confissão em algum grau e que implicasse o acusado Bruno”, completou.

Macarrão responde por sequestro, cárcere privado, ocultação de cadáver e homicídio triplamente qualificado. Segundo seu advogado, ele confessou apenas ter participado indiretamente do crime de homicídio.

De acordo com o promotor, depois de cumprir a pena Macarrão pode ser incluído no programa de proteção a testemunhas.

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