Após reportagem do iG, TJ diz que juíza autorizou telefonemas de jurados

Jornalistas foram "advertidos" por um escrivão, dois oficiais de justiça e um comandante de policiamento de que reportagem poderia levar à anulação do julgamento

Carolina Garcia e Ricardo Galhardo - enviados a Contagem (MG) | - Atualizada às

Depois que dois oficiais de justiça, um comandante de policiamento e um escrivão abordaram os repórteres do iG por conta da reportagem sobre a rotina de confinamento dos sete jurados do Caso Bruno , o Tribunal de Justiça de Minas Gerais admitiu que a juíza Marixa Rodrigues os autorizou a conversar por telefone com seus familiares. 

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Carolina Garcia
Jurados tomam café da manhã em hotel antes de ir a sessão do julgamento do Caso Bruno, em Contagem (MG)

Segundo a assessoria do TJ-MG, as conversas - reveladas pelo iG nesta quarta-feira - foram monitoradas e gravadas por oficiais de Justiça e liberadas mediante algumas regras. Os jurados não poderiam falar sobre o julgamento, os telefonemas devem ser feitos apenas pelos telefones fornecidos pelos oficiais de justiça na função viva voz e com duração de poucos minutos. No final de cada dia, os oficiais responsáveis pelos jurados fazem um relatório pormenorizado que é entregue à juíza Marixa.

De acordo com o TJ-MG, as conversas relatadas pelo iG não ferem o preceito da incomunicabilidade dos jurados já que o julgamento não foi objeto dos telefonemas. O promotor Henry Wagner Vasconcelos também considerou legais os telefonemas feitos pelos jurados.

De manhã, pouco antes da publicação da reportagem do iG, a juíza excluiu do julgamento, a pedido do promotor, seis testemunhas de defesa flagradas portando telefones celulares na bagagem.

Embora o TJ-MG afirme oficialmente que o procedimento é normal, a reportagem do iG foi interpelada pelo escrivão Jorge Soares da Silva para dar explicações sobre a publicação. A reportagem foi convidada a sair do plenário durante o julgamento, levada para uma sala anexa onde se encontravam dois oficiais de justiça, o comandante do policiamento no fórum e uma assessora de imprensa.

Na sala, os repórteres foram “advertidos” de que a reportagem poderia levar à anulação do julgamento por supostamente violar a incomunicabilidade dos jurados. Depois que os jornalistas foram liberados a assessoria do TJ-MG se desculpou dizendo que a “advertência” foi um mal entendido.

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