Julgamento atrai curiosos, comerciantes e vira palco de advogados em Contagem

Defensores são as principais estrelas do lado de fora do fórum onde é realizado o julgamento da morte de Eliza Samudio. Manifestantes também tentam chamar atenção para suas causas

Ricardo Galhardo - enviado a Contagem (MG) | - Atualizada às

Marmitex a R$ 8 ou R$ 10 com refrigerante, picolé a R$ 1,20, churros recheados a R$ 2, biscoitos de polvilho, pães de queijo, casadinhos e outros quitutes mineiros a R$ 3 o saco ou dois por R$5. A entrada do Fórum Pedro Aleixo, em Contagem, palco do julgamento dos acusados pelo sumiço de Eliza Samudio parecia um mercado nesta segunda-feira.

Saiba tudo sobre o julgamento

Alberto Wu/Futura Pres
Advogados foram as principais estrelas do lado de fora do Fórum Pedro Aleixo, em Contagem

“Contagem vai ser a cidade mais importante do Brasil durante o julgamento. O povo quer aproveitar pra ganhar uns trocados”, disse o taxista Gildésio de Oliveira, 52 anos, que tem ponto na porta do fórum.

Enquanto comerciantes locais aproveitavam para faturar, ativistas das mais diversas causas faziam manifestações, dezenas de jornalistas corriam de um lado para outro acompanhados pelos advogados, que formavam fila para dar entrevistas aos programas policialescos vespertinos de TV.

O tráfego dos helicópteros das emissoras de TV e da polícia, o entra e sai dos carros do sistema prisional e as entradas ao vivo dos apresentadores vespertinos se transformaram em uma atração local, atraindo dezenas de moradores da cidade, o que só ajudou a aumentar a confusão na porta do fórum.

Alex de Jesus/O Tempo/Futura Press
Manifestação de integrantes da União Brasileira de Mulheres (UNB) durante o 1° dia de julgamento no Fórum de Contagem (MG)

Os manifestantes formaram um capítulo à parte. A deputada federal Jô Moraes (PC do B-MG), integrante da CPMI que investiga a violência contra as mulhberes, liderou um protesto da União Brasileira de Mulheres na qual vária manifestantes carregavam cruzes com nomes de mulheres assassinadas, entre elas Eliza.

“O caso da Eliza não é isolado. Em apenas 20 dias, oito mulheres foram assassinadas em Minas Gerais. Queremos pressionar o Judiciário a aplicar a Lei Maria da Penha”, disse a deputada, lembrando que Eliza chegou a denunciar o goleiro Bruno à polícia, mas não recebeu a atenção devida.

Fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus aproveitaram a forte presença da mídia no julgamento para lançar um projeto que incentiva as vítimas de violência doméstica a denunciar seus agressores.

O inusitado ficou por conta do motorista desempregado Valdecir Obispo que viajou 700 km desde Rio Pardo de Minas para protestar contra a não aplicação da Lei da Ficha Limpa nas eleições municipais de outubro na cidade.

Middian Kelly, filha do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, acusado de ser o executor da morte de Elisa, liderou uma manifestação de comerciantes do bairro Santa Clara pela inocência do pai.

Mas as estrelas eram os advogados. Figuras como Rui Pimenta, defensor de Bruno; José Arteiro, auxiliar da acusação, Ércio Quaresma e Zanone Manuel de Oliveira se desdobravam em inúmeras entrevistas nas quais eram cercados pelos curiosos e saudados ou vaiados, conforme a inclinação dos populares, e cercados a cada entrevista.

Os advogados não decepcionavam respondendo às perguntas com frases de efeito, muitas vezes deselegantes. Arteiro chamou os defensores de Bruno de lunáticos, Pimenta dava detalhes insólitos e picantes sobre as supostas atividades da vítima na Europa.

Quando Zanone passou acompanhado por uma produtora de TV rumo a enésima entrevista, Quaresma, seu colega de bancada, gritou do outro lado da rua para a jornalista: “se você falar com este cara aí não precisa me ligar nunca mais”.

Rui Pimenta e o jurista Luiz Flavio Gomes, que veio de São Paulo para “comentar” o julgamento, deram entrevistas na sala de imprensa do fórum, o que foi proibido pela juíza Marixa Rodrigues. “Só fui convidado para um cafezinho”, justificou-se Pimenta.

Durante uma conversa em uma roda de jornalistas, Zanone foi abordado por um homem que passava com a filha no colo e disse ao advogado de Bola: “força, Zanone, estamos com você. O que tinha que acontecer de ruim já aconteceu”.

    Leia tudo sobre: contagemfórumeliza samudiocaso brunogoleiro bruno

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG