Advogados abandonam defesa de réu no julgamento do caso Bruno

Defensores de Bola decidem deixar júri, mas negam "manobra" para desmembrar julgamento. Advogados de Macarrão voltam atrás e continuam a representá-lo

Carolina Garcia e Ricardo Galhardo - enviados a Contagem | - Atualizada às

Exatamente três horas depois de o horário previsto, a juíza Marixa Fabiane Lopes deu início à sessão de julgamento do goleiro Bruno Fernandes pelas acusações de sequestro, cárcere privado, assassinato e ocultação de cadáver de sua ex-amante Eliza Samudio, de 24 anos. Mas os tumultos que marcaram toda a manhã desta segunda-feira (19) no Tribunal do Júri de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, voltaram a ocorrer assim que foram abertos oficialmente os trabalhos.

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O advogado Ércio Quaresma e os outros defensores do ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, deixaram o plenário criticando a "falta de imparcialidade" dos trabalhos. A Justiça já havia antecipado esse tipo de estratégia da defesa e antecipadamente notificou a Defensoria Pública para que representantes do órgão se inteirassem do processo e ficassem à disposição para evitar o adiamento do julgamento diante de ações do tipo. Mas, após a atitude da defesa de Bola, os demais advogados pediram para se reunir para decidir o que fazer e a sessão foi novamente suspensa.

Por suas decisão - a dispensa de sete jurados que haviam participado de um julgamento anterior do réu  Marcos Aparecido dos Santos, o Bola -, a juíza concedeu 20 minutos para cada equipe manifestasse seus questionamentos. Todos declararam cerceamento de defesa. Desta forma, ela perguntou a cada grupo de advogados quem desejava continuar.

Os advogados de Bola resolveram abandonar o julgamento. Como o ex-policial recusou um defensor público, a juíza concedeu um prazo de 10 dias para que ele contrate novos advogados. 

Os defensores de Macarrão, que haviam decidido deixar o cliente, voltaram atrás e permaneceram. As equipes de Bruno, Dayanne e Fernanda também decidiram ficar. 

Durante o intervalo de 2 horas da sessão, Zanone Manuel de Oliveira, um dos advogados de Bola, negou que a decisão de deixar o julgamento fosse manobra, mas disse que o resultado prático seria o desmembramento. "É uma questão processual. Seria inviável a juíza nomear um defensor público porque o advogado precisaria de tempo para se inteirar do processo. A defensoria pública tem nomes do mais alto quilate. Acontece que quem quer que fosse o defensor precisaria de tempo para se inteirar dos autos. São 15 mil páginas e mais de uma semana de áudios e vídeos.”

Questionado sobre qual seria o melhor encaminhamento do processo, Zanone diz que seria continuar o julgamento do Bruno e dos réus cujos advogados continuam em plenário e desmembrar os demais. “O correto é dar prosseguimento ao julgamento do goleiro Bruno e marcar uma nova data para que seja apreciado em separado o caso do Marcos.”

Além de Bruno, será julgado pelos mesmos crimes seu amigo Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão; Bola, acusado do assassinato e ocultação de cadáver da jovem; a ex-mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues do Carmo, processada pelo sequestro e cárcere privado do bebê que Eliza teve com o jogador; e outra ex-namorada do atleta, Fernanda Gomes de Castro, acusada do sequestro e cárcere privado da criança e da mãe.

O julgamento estava previsto para iniciar às 9 horas, mas a manhã no plenário foi marcada por discussões provocadas principalmente por Quaresma. Depois de um princípio de tumulto com o colega Rui Pimenta, defensor de Bruno, e questionar a composição dos jurados que seriam sorteados para o julgamento, Quaresma voltou a se envolver em mais duas discussões com Marixa.

Antes da decisão de deixar o plenário, ele já havia protagonizado um bate-boca com a magistrada ao exigir acesso às mídias com depoimentos de testemunhas. A juíza determinou que esse material poderia ser assistido em equipamento do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG), mas a defesa de Bola alega não ter tido acesso aos interrogatórios.

Os advogados chegaram a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para adiar o julgamento, mas o pedido foi negado pelo ministro Joaquim Barbosa. Segundo Marixa, o material só pode ser assistido em equipamento do TJ-MG para preservar a imagem das testemunhas, já que os interrogatórios estão em áudio e vídeo. "Tem dois anos que o processo está em curso. A defesa poderia ter marcado minuto a minuto os trechos", argumentou a magistrada.

* Com AE

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