Advogados do Caso Bruno vão a júri confiantes e planejam futuro dos réus

Para a defesa, ausência do corpo de Eliza Samudio coloca em prova se houve assassinato. Possível absolvição alimenta sonhos de volta aos gramados do ex-goleiro Bruno Fernandes

Carolina Garcia - iG São Paulo |

Pelo menos dez advogados irão compor a defesa dos cinco réus do Caso Bruno e estarão presentes no plenário do Fórum Criminal de Contagem, onde os acusados enfrentarão o júri popular a partir de segunda-feira (19) pelo desaparecimento de Eliza Samudio. Com teses e performances preparadas, os advogados mostram confiança, fazem planos para os acusados e dizem acreditar na "fragilidade do processo". 

O iG irá acompanhar em tempo real o julgamento que está marcado para começar às 9 horas desta segunda-feira (19), na região metropolitana de Belo Horizonte. 

Cobertura do iG: Bruno e mais quatro vão a júri popular pelo desaparecimento de Eliza

Saiba quem é quem no desaparecimento de Eliza Samudio

A defesa de Bruno Fernandes, composta pelos advogados Rui Pimenta e Francisco Simim, afirmou que o réu está confiante e não esconde o sonho de voltar aos gramados. “Ele deve deixar o júri absolvido. Bruno vai estar na Copa de 2014 representando o Brasil em uma partida contra a Argentina. O jogo ficará no 0 x 0 e será decidido nos pênaltis. Messi bate e adivinha quem dará a vitória ao Brasil? Bruno. Ele irá defender”, disse Pimenta visualizando o goleiro com o uniforme da seleção brasileira.

Simim disse que Bruno aguarda o julgamento “muito tranquilo, sorridente e confiante”. Para ele, seu cliente foi condenado pelo peso que o caso ganhou na imprensa. “Foi um excesso de zelo da investigação. Não há provas que liguem Bruno a esse possível assassinato. É uma pessoa boa que nunca esqueceu suas raízes”. A defesa encerra ainda dizendo que, se Macarrão estava com Eliza quando ela foi levada até Bola em Vespasiano (MG), “eles que apontem a localização do corpo dela”.

Chora muito, mas tem fé

“Ele foi pintado como inimigo número um da polícia, um homem cruel e frio. Com certeza, ele é o mais prejudicado entre os réus”, afirmou o advogado Zanone Manuel de Oliveira, que divide a defesa de Bola com mais dois colegas, Ércio Quaresma e Fernando Magalhães. “Ele sempre foi muito chorão, mas é muito apegado à sua fé e família. O segredo é manter a calma e a serenidade.”

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Um ponto considerado a favor pela defesa é “a fragilidade de provas”. “É descomunal. Além de não termos um corpo (que comprove o assassinato), o próprio promotor (Henry Wagner Vasconcelos de Castro) não acredita no inquérito policial já que muitos detalhes da investigação não constam na denúncia”.

Para Oliveira, Eliza Samudio deveria ser procurada como uma pessoa desaparecida. De acordo com a defesa de Bruno, a ex-modelo estaria viva e morando em um país no leste europeu com documentos falsos. “Se ela aparecer viva acabará com a carreira de muitos promotores, delegados e investigadores de polícia”, disse.

Sonho de ser advogada

A rotina em um escritório de advocacia em Campo Grande, no Rio de Janeiro, encantou a auxiliar administrativa Fernanda Gomes. Ex-namorada de Bruno, que chegou a ser presa e aguardava o julgamento em liberdade, tenta passar no vestibular para cursar faculdade de direito. “É o sonho dela se tornar advogada. Fernanda aguarda o julgamento ansiosa, só depois disso ela poderá retomar seus planos”, afirmou a advogada Carla Silene, responsável pela defesa de Fernanda ao lado do colega Fábio Presotti.

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Sobre a inocência de sua cliente, Carla é mais reservada e prefere deixar tal decisão ao júri. No feriado prolongado de seis dias - entre os dias 15 e 20 de novembro -, a advogada viajaria ao Rio de Janeiro para realizar a última visita a Fernanda e repassar os últimos detalhes do seu depoimento. “Sempre peço para ela acreditar nas provas do processo e ficar calma. Meu desafio é individualizar os réus e evitar que eles sejam vistos como um grupo.”

Professora e "mãe exemplar"

Ex-mulher e mãe de três filhos, dois do goleiro Bruno e o terceiro do atual relacionamento, Dayanne Rodrigues tem duas jornadas de trabalho. Representada pelo advogado Francisco Simim, o mesmo do ex-marido, ela oferece aulas particulares de matérias do Ensino Fundamental e no horário livre vende roupas femininas.

“Foi uma das mais injustiçadas no processo inteiro. Ela deveria ter sido condecorada como a mãe do ano por ter cuidado do Bruninho, quando tudo estava confuso. Ele foi limpo, alimentado e bem tratado”, disse Simim protestando contra as acusações de sequestro e cárcere privado do filho de Eliza.

O advogado Leonardo Diniz e assistentes que representam Luiz Henrique Romão, o Macarrão, foram procurados pela reportagem do iG . No entanto, Diniz preferiu não divulgar os trabalhos da defesa.

Denúncia direto do presídio

Como os restos mortais de Eliza nunca foram encontrados, os advogados cobram da promotoria provas que confirmem o assassinato da ex-modelo. Isso será fundamental contra as acusações de homicídios qualificados contra Bruno, Macarrão e Bola.

A poucos dias do julgamento, a defesa do ex-goleiro divulgou que investigava a veracidade de uma carta que denuncia que Eliza teria saído do País com documentos falsos. Segundo Rui Pimenta, a carta teria sido enviada por um homem que diz ser padrasto de Bruno. Ele estaria preso por tráfico de drogas em uma penitenciária de Governador Valadares, em Minas.

O texto da carta, segundo Pimenta, tem duas páginas e conta que a ex-modelo teria fugido para Bolívia e lá conseguido documentos de permanência falsos para viver em um país do leste europeu. O advogado confessa que desconfia da história. “Recebi com cautela e reserva. Acho impossível o que ele está falando, mas não vou morrer com essa dúvida. Como as provas são fracas, tudo pode acontecer.”

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