O aventureiro da genética

Misto de cientista e empresário, Craig Venter provocou uma corrida pelo genoma

Natasha Madov, iG São Paulo |

© AP
Craig Venter, o cientista que comandou o consórcio privado que sequenciou o genoma humano
Naquele 26 de junho de 2000, o holofote deveria ter sido de totalmente de Francis Collins . Mas ele foi obrigado a dividi-lo com um cientista que até hoje é admirado e odiado em partes iguais, por conta de sua genialidade e ego inflado: Craig Venter.

O americano nasceu em 1946 e cresceu na Califórnia. Foi mau aluno e surfista na adolescência, mas o serviço num hospital da Marinha durante a Guerra do Vietnã fez surgir seu interesse em medicina, depois transferido para pesquisa científica. Depois da guerra, continuou os estudos acadêmicos até o doutorado, deu aulas e trabalhou em um dos centros de pesquisa mais prestigiados do país, o National Institute of Health.

Venter só ficaria conhecido da grande mídia ao publicamente desafiar o Projeto do Genoma Humano, dizendo que seqüenciaria o genoma humano em apenas três anos, num esforço financiado pela iniciativa privada. Criou um método de seqüenciamento rápido que, embora criticado na época por ser pouco preciso, hoje virou padrão da indústria. Venter teria dito ao chefe do projeto, que enquanto ele terminava o genoma humano, Collins “poderia fazer [o genoma do] camundongo.” O consórcio público peitou o desafio, e em 2000, os dois apresentaram seu trabalho ao mesmo tempo, três anos antes do que o previsto pelo governo americano.

Em 2002, Venter saiu da Celera (demitido, segundo as más línguas), a empresa que havia criado para seqüenciar o genoma humano. Criou um instituto próprio para seguir seu trabalho com seqüenciamento genético e a criação de genomas artificiais, sua nova obsessão.

Em 2007, publicou o primeiro seqüenciamento genético completo de um só indivíduo – o seu, é claro. Entre seus genes, estão os de comportamento antisocial e um maior risco de ter Alzheimer e doenças cardiovasculares.

Ele também circulou o mundo em seu iate, o Sorcerer II, imitando a famosa viagem de Charles Darwin no Beagle que deu origem à teoria da evolução. A idéia era coletar microorganismos marinhos para decodificar seu DNA e manter a maior biblioteca de genes do mundo -- e assim ajudar com seu projeto de criar organismos geneticamente customizados para suprir demandas específicas, como algas que convertam dióxido de carbono em gasolina ou diesel.

O primeiro passo deste projeto foi a criação da primeira célula com genoma feito em laboratório , anunciada em maio. Só resta esperar o próximo passo. A história mostra que ele adora um desafio.

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