valter hugo mãe quer ser pai

Escritor português fala da reação "apoteótica" à sua presença na Flip e da vontade de experimentar a paternidade

Valmir Moratelli, enviado especial a Paraty |

O trocadilho é inevitável. O escritor português valter hugo mãe (que só assina com letras minúsculas, inclusive em suas obras) externou a vontade de, beirando os 40 anos, ser pai. "É uma coisa que venho pensando cada vez com mais força. Tenho treinado, mas preciso buscar uma parceira mais perto de casa, no norte de Portugal", afirma, com bom humor.

Em entrevista ao iG , ele falou ainda da inesperada reação "apoteótica" à sua presença na Flip . Ficou, ao lado da argentina Pola Oloixarac, quatro horas autografando livros. No meio de tanto carinho e afago dos fãs, convites um tanto engraçados.

"Fui pedido em casamento, recebi propostas indecentes e outras coisinhas que me divertiram", diz. Mas as leitoras brasileiras, pelo visto, vão ter que se contentar apenas com suas obras. "Namorar uma estrangeira seria complicado. Preciso também passar mais tempo em casa, porque com sta rotina de viagens tudo fica difícil".

Poder do português

O Brasil, agora como uma liderança latina no mundo, a seu ver, tem tudo para intensificar o poder da língua portuguesa. "Fico triste de pensar Portugal, com seus 800 anos de história, desaparecendo no mundo global. Mas o Brasil vem mostrar e usar cada vez mais essa visibilidade internacional. Hoje as pessoas associam muito mais o idioma ao Brasil do que a Portugal", diz valter, que é fã de Chico Buarque, Bethania e assiste a Gal Costa pelo YouTube.

Além disso, adora o filme "A Festa da Menina Morta", de Matheus Nachtergaele. "Se você encontrar algum dia com ele, diz isso, por favor", pede. E sente saudades de Regina Casé fazendo novelas. "Ela está sumida da televisão portuguesa, uma pena", lamenta.

valter também acredita que é mais do que na hora de um Nobel de Literatura ao Brasil. "Ferreira Gullar e Rubem Fonseca já deveriam ter ganhado há tempos", cobra ele.

Reforma ortográfica

Se por um lado a integração entre países de língua portuguesa é cada vez maior com a reforma orográfica adotada recentemente, por outro valter é pessimista quanto ao futuro de outra integração da qual faz parte, a europeia. "A União Europeia está no escuro, atravessa uma fase escura, triste e sem vida. O que acontece com a economia grega logo chega a Portugal, Espanha, Itália... A União prevista não aconteceu entre os povos porque não se imaginam cidadãos europeis, mas italianos, franceses, alemães...", explica.

Já quanto ao fim da trema, entre outras novas regras gramaticais, assunto bem mais brando, ele vê com sobra de otimismo.

"O Brasil entendeu mais facilmente esta necessidade, talvez por ser um país mais novo, de história colonial. Portugal entende mudanças como agressão, pelo seu tradicionalismo com o idioma", define o escritor que tem radicalizado a forma de escrever ao abolir as letras maiúsculas. "É para me aproximar da forma normal de fala. Ninguém conversa pensando nas letras maiúsculas."

Experimentalismo que, como soube fazer José Saramago, vem do outro lado do oceano. "Mas o Brasil também tem a ensinar nessas inovações. Guimarães Rosa possibilitou a criação de palavras como nenhum outro soube fazer."

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