Salman Rushdie vai relembrar fatwa

Escritor prepara livro sobre época em que viveu sob condenação islâmica

Marco Tomazzoni, enviado a Paraty |

Frâncio de Holanda
Salman Rushdie e o filho, Milan, em Paraty
Pouco mais de dez anos depois da fatwa contra Salman Rushdie ter sido retirada, o autor de Versos Satânicos (1988) vai relembrar aqueles dias em um romance. Na tarde desta sexta-feira, na Flip, o escritor anglo-indiano disse que começou a escrever o livro há poucas semanas. Ali, deve narrar as ameaças que recebeu desde que o aitolá Khomeini declarou guerra santa (ou pena de morte, como preferir) contra ele, da vida rodeada de seguranças em Londres e do contínuo assédio moral de fanáticos muçulmanos.

“Sempre soube que ia escrever esse livro, mas não tinha a distância necessária e tinha outros que precisava realizar antes”, contou Rushdie. “Gastei os últimos meses juntando material, dos meus diários a matérias publicadas na imprensa, porque preciso saber o que todos pensavam, não só eu. Não posso dizer como é, mas deve estar pronto até o fim do ano que vem. Escrevi 60 páginas e deve ter 450, tenho um longo caminho pela frente.”

Um dos mais celebrados e premiados escritores britânicos contemporâneos, ao lado de colegas como Ian McEwan e Philip Roth, Rushdie disse que por muito tempo Versos Satânicos ocupou um lugar no mundo que não era exatamente literário, entre a política e a religião. “Hoje, 20 anos depois, as pessoas finalmente estão começando a encará-lo como literatura. Sei que ainda tenho muitos leitores no mundo islâmico. Ficarei feliz com qualquer pessoa que tiver contato com meu trabalho.”

Pela segunda vez na Flip, onde faz o lançamento mundial da aventura infanto-juvenil Luka e o Fogo da Vida , inspirado em seu filho de 13 anos, Milan, o escritor afirmou que, antes de escrever uma nova obra, o primeiro passo é distinguir entre ficção e não-ficção. “Na não-ficção sempre há um objetivo. Como leitor, não gosto de um romance que tenta me ensinar, me chateia”, explicou. “A literatura pode informar, mas de maneira indireta. Seu papel é criar personagens, desenvolver histórias, criar um mundo em que o leitor poderia morar.”

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