Haroun e o Mar de Histórias , foi escrito a pedido do filho" / Haroun e o Mar de Histórias , foi escrito a pedido do filho" /

Salman Rushdie faz premiére mundial de seu novo livro em Paraty

Novo trabalho do escritor, Haroun e o Mar de Histórias , foi escrito a pedido do filho

Cadão Volpato, enviado a Paraty |

Getty Images
O escritor Salman Rushdie durante a 8º Festa Literária Internacional de Paraty
Quando escrevia Os Versos Satânicos , o romance responsável pela sentença de morte que recebeu do aiatolá Khomeini no final dos anos 80, Salman Rushdie ouviu do filho mais velho: “Por que não escreve livros que eu possa ler?”. “Boa pergunta”, respondeu o pai.

Esse livro seria Haroun e o Mar de Histórias (1998), cuja sequência o escritor indiano acaba de lançar, em premiére mundial, na Feira Literária de Paraty. Luka e o Fogo da Vida (Companhia das Letras) foi escrito para o filho mais novo, que tem o nome do personagem no meio do seu e assistiu à conversa do pai com o jornalista Silio Boccanera na noite de sexta-feira, em Paraty. “Sem ele não haveria livro”, disse o escritor.

Foi uma conversa hipnótica, que tomou diversos caminhos, alguns deles desviados pelo próprio escritor, nitidamente entusiasmado com o novo livro saído do forno e não muito disposto a fincar o pé em assuntos mais batidos, como sua notória oposição aos dogmas religiosos e mesmo a fatwa de que foi vítima nos anos 80.

“A situação está mais calma para ele”, afirmou o mediador. “Rushdie vive uma vida menos reclusa”, concluiu. E emendou uma pergunta cuja resposta arrancou uma gargalhada da plateia:

Silio: “Descobriu Deus no meio dessa reclusão a que foi obrigado pelos aiatolás?”
Rushdie: “Deus? Não, este é o outro time, contra o qual estou jogando”.

Frâncio de Holanda
Milan, filho de Rushdie, subiu ao palco
Foi a segunda aparição do escritor na feira. Desta vez, ele estava muito mais leve (não no sentido literal) e divertido. Isso também tem a ver com o novo livro, que começa com a história de um urso chamado Cão e um cão chamado Urso . Luka é uma fábula bem-humorada que mistura tapetes mágicos a videogames. O personagem precisa salvar a vida do pai, um famoso contador de histórias da Índia, em sono eterno por conta de um feitiço. A única forma de acordá-lo é trazer o Fogo da Vida, escondido no mundo mágico.

“O papel do escritor é dizer claramente o que ele vê”, disse Rushdie. Em Luka, ele enxergou as maravilhas de dois mundos, o nosso e o outro. “A Índia é a minha inspiração primária”, esclareceu ele, para logo em seguida revelar que sofreu, de Jorge Luis Borges, uma influência ruim. “Fui intoxicado pela leitura de Ficções quando jovem. Tive que aprender a não escrever como ele”.

A sentença de morte que pesou sobre sua cabeça nos úlimos anos está prestes a entrar para a literatura: Salman Rushdie atingiu a septuagésima página de um manuscrito. “Eu tenho que escrever este livro”, ele disse. “Há cinco meses venho pensando nele”.

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