Português chora e é aplaudido de pé durante debate na Flip

valter hugo mãe falou sobre sua amizade de infância com uma família de brasileiros; mesa contou ainda com Pola Oloixarac

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura |

Divulgação
O português valter hugo mãe durante mesa na Flip

"Máquinas de fazer sentir." Foi como valter hugo mãe (que só usa minúsculas) definiu os livros e sintetizou sua ambição literária. Ao menos na mesa que o escritor português compartilhou com a argentina Pola Oloixarac, nessa quinta (dia 8), uma das mais aguardadas da Flip , a literatura cumpriu essa função. Ao final, o público satisfeito aplaudiu de pé o relato emocionado da relação de hugo mãe com o Brasil, na infância.

A escritora argentina não ficou para trás e fez sua parte para que o encontro correspondesse às (altíssimas) expectativas de todos que lutaram pelos ingressos. Além da simpatia e beleza que lhe renderam o apelido de "musa da Flip 2011", Pola apresentou aos interessados no debate literário uma visão elaborada do labor do escritor.

Após o debate, Pola arrastou 2 mil pessoas para sessão de autógrafo .

Sobre a gênese de seu romance de estreia, "As Teorias Selvagens", recém-publicado no Brasil, explicou: "O conhecimento pertenceria a uma casta separada das paixões baixas. Há, no entanto, uma relação privilegiada entre essas castas e que é mantida pela literatura".

Já a escrita do autor português - que com seu romance "remorso de baltazar serapião" ganhou o prêmio José Saramago - nasce de uma falta. A literatura, diz ele, "substitui tudo aquilo que eu imagino que existe e eu não tenho, tudo aquilo que os outros são e eu não sou".

Talvez em resposta ao frisson causado por sua presença em Paraty, a argentina de 33 anos tocou levemente no fato de, como mulher, ter suas ideias "trivializadas", como ela definiu, ou relegadas a segundo plano por questões secundárias.

Aproveitou, porém, para ver nisso mais umas demonstração do poder da literatura, o de explicitar, para além das palavras contidas nas páginas do livro, questões fundamentais da sociedade como a de gênero.

valter hugo leu texto que escreveu especialmente para a Flip sobre a relação dele de infância com uma família de brasileiros que se mudou para sua vila, em Portugal. Essa família doou uma ambulância à vila. E, como ele era amigo desses brasileiros, passou a ser bem considerado no lugar. "Eles me transformaram em um menino de ouro." Chorou e foi aplaudido de pé.

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