Pelada de Chico Buarque, vaias: os momentos marcantes da Flip

Veja episódios que aconteceram nas oito edições já realizadas da Festa Literária de Paraty

iG São Paulo |

A história da Flip é composta tanto por momentos de consagração e de bom humor como por vaias e decepções. Veja episódios que marcaram as oito edições já realizadas do evento.

2003 - No primeiro encerramento: feijoada

Em sua primeira edição, de 2003, a Flip foi encerrada com uma feijoada "para poucos" organizada pela criadora do evento, a editora britânica Liz Calder. Entre os convidados, que cruzaram o mar de Paraty em uma escuna, estavam os escritores Eric Hobsbawm, Don DeLillo, Julian Barnes, Hanif Kureishi e Milton Hatoum. Hobsbawm e Barnes foram saudados como os mais simpáticos, enquanto Kureishi ficou com fama de mal humorado.

2004 - Chico transforma letras em futebol

A grande estrela da Flip de 2004 foi o compositor e escritor Chico Buarque - mesmo com a presença do internacional Paul Auster, com quem Chico dividiu o palco. Além de causar comoção nas ruas da cidade fluminense, o autor de "Budapeste" organizou uma partida de futebol que atraiu, além dos curiosos, Ziraldo, Angeli e Luis Fernando Verissimo. Com uma equipe batizada por ele de “Time das Letras”, Chico marcou um.

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Chico Buarque em partida de futebol durante a Flip

2005 - Lágrimas, vaias e palmas

Uma das mesas mais faladas da edição de 2005 foi a que reuniu o cronista Arnaldo Jabor com o rapper MV Bill e o antropólogo Luiz Eduardo Soares. Enquanto Bill e Soares emocionaram a plateia (eles divulgavam o livro "Cabeça de Porco", sobre jovens que vivem do tráfico de drogas), Jabor arrancou vaias ao elogiar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Irritado, o cineasta chegou a chamar os envolvidos de ignorantes.

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A escritora Toni Morrison na Flip
2006 - O manifesto de Paraty

Em edição dominada pelo teor político, a Flip 2006 contou com um manifesto que pedia a retirada das tropas israelenses do Líbano. Apesar de levar o nome de autores como Tariq Ali, Toni Morrison, Alonso Cueto, Ali Smith, Milton Hatoum e Lourenço Mutarelli, o manifesto provocou reações contrárias de outros convidados, como Jonathan Safran Foer e Christopher Hitchens, que o consideraram ingênuo e desonesto por só levar em conta um dos lados do conflito.

2007 - Todos leem Nelson Rodrigues

Em 2007, ano em que o homenageado foi o escritor Nelson Rodrigues, a leitura da peça "Um Beijo No Asfalto" foi um dos pontos altos da festa. Dirigida por Bia Lessa, a apresentação contou, entre outros, com a participação de Jorge Mautner, Nelson Motta, Liz Calder, Sergio Sant’Anna, Flora Süssekind, Angela Leite Lopes, Chacal, André Sant’Anna e Veronica Stigger. Além de apreciar o texto de Rodrigues, a plateia divertiu-se com a rara oportunidade de assistir a um grupo de escritores fora de sua zona de conforto.

2008 - Quando a Flip virou mesa de bar

Apesar de contar com convidados internacionais de peso, como Neil Gaiman, David Sedaris e Tom Stoppard, a cena da Flip 2008 foi roubada pela mesa "Conversa de Botequim", que reuniu os escritores brasileiros Guilherme Werneck e Xico Sá. O papo, que tratou da obra do poeta Jayme Ovalle, rendeu momentos impagáveis, como a história da paixão de Ovalle por uma pomba, a "folclorização" do autor por um invejoso Machado de Assis e a cara de espanto de Xico Sá ao descobrir que sua parte preferida do corpo feminino tem nome: períneo.

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Norte-americano Gay Talese na Flip
2009 - Gay Talese em todos os cantos

Célebre representante do “novo jornalismo”, o escritor e jornalista Gay Talese foi figura onipresente na edição de 2009 da Flip. Além de praticamente monopolizar a mesa que dividiu com o brasileiro Mario Sergio Conti, o autor de "Fama e Anonimato" arranjou tempo para atender aos repórteres, assistir a várias apresentações e passear pela cidade – precisou até escapar dos fãs que o cercaram na livraria do evento.

2010 - Poesia arrebata a plateia de Paraty

Prestes a completar 80 anos, o poeta Ferreira Gullar foi ovacionado pelo público, que se emocionou com os poemas do livro que ele lançara na ocasião, "Em Alguma Parte Alguma". Além de repassar sua carreira, o escritor cativou os presentes com frases como "A arte existe porque a vida não basta" e "Cheguei ao Chile, caiu Allende. Fui para Buenos Aires, morreu o Perón. O pessoal dizia: Não vem pra cá, não!".

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