Para que serve a Flip?

Curador e editor defendem importância da Festa Literária de Paraty para o mercado editorial

Guss de Lucca, iG São Paulo |

Beto Lima
O curador da Flip 2011, Manuel da Costa Pinto, durante a coletiva de encerramento do evento
Responsável por inserir o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura, a Flip - Festa Literária Internacional de Paraty atraiu nesta edição um público de cerca de 25 mil pessoas, movimentando a economia da cidade. Mas qual é a real importância do evento para o mercado brasileiro?

De acordo com Manuel da Costa Pinto, curador desta edição, a festa beneficia o mercado editorial ao jogar luz sobre a literatura no Brasil. "O evento tem um impacto de mídia que faz com que o autor ganhe uma visibilidade muito grande, elevando a literatura a um nível de exposição semelhante ao da música e do teatro", explica.

O curador ressalta também a difusão de ideias promovidas pela Flip, permitindo que autores sejam atingidos por um novo público. "Muitas vezes uma pessoa vem pra Flip para ver um escritor e passa a conhecer outros, entrando em contato com estilos e ideias que não estava habituada."

Apesar de afirmar que o critério de escolha dos autores não seja o mercado editorial, mas a relevância de cada um diante do interesse do público, Costa Pinto reconhece que as editoras aproveitam o evento para promover suas obras, mesmo a Flip não sendo especificamente um espaço de lançamento de livros.

"As editoras utilizam a Flip para promover seus lançamentos e organizar noites de autógrafos com seus autores", comentou, lembrando de sessões movimentadas, como a do autor português valter hugo mãe, que em entrevista ao iG revelou ter sido pedido em casamento na ocasião .

Outras editoras preferem lançar suas obras um pouco antes da Flip, aproveitando a expectativa causada pela festa. "Nós lançamos o romance 'As Teorias Selvagens', da Pola Oloixarac, em março, e o fato de ela estar na Flip teve uma repercussão grande", revela Thales Guaracy Ferreira, diretor editorial responsável pelo selo "Bem Virá", da editora Saraiva. "Em três meses uma autora que era pouco conhecida no Brasil praticamente se tornou a musa do evento . Para nós tem funcionado muito bem".

Para ele, o evento não contribui apenas em termos de vendas, mas principalmente nos assuntos dos livros. "Acho que a grande coisa da Flip é que é o melhor espaço onde se pode extravasar o conteúdo dos livros, trazê-los para a vida das pessoas. Ter a oportunidade de debater as ideias multiplica a ação do livro em termos de atração para o leitor".

A organização da Flip já anunciou que em sua décima edição o homenageado será o poeta Carlos Drummond de Andrade .

    Leia tudo sobre: flip

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG