O livro aguenta firme

Robert Darnton e John Makinson discutiram o futuro deste suporte de leitura cuja sentença de morte já foi anunciada

Cadão Volpato, enviado a Paraty |

Frâncio de Holanda
Robert Darnton e John Makinson: otimismo em relação ao livro de papel durante a Flip
O futuro digital é meio nebuloso para os debatedores Robert Darnton e John Makinson (o primeiro, historiador e diretor da biblioteca de Harvard, e o segundo, CEO da editora Penguin). Na primeira mesa desta sexta-feira, intitulada "Livro 2", uma espécie de continuação dos assuntos levantados na noite de quinta, quando Darnton conversou com Peter Burke, o historiador e o CEO mostraram-se otimistas quanto à sobrevivência do livro como suporte para a leitura – mesmo com o advento das mais complexas e inovadoras tecnologias. Ainda assim, pouco se falou de Kindles e iPads. 

Os debatedores dividiram suas perplexidades e observações incisivas sobre a rapidez dos eventos contemporâneos relacionados com o ato de ler.

A pergunta que não quer calar em qualquer discussão mundial sobre o assunto foi repetida na mesa – aliás, abriu os trabalhos na voz da mediadora Cristiane Costa: “O livro morreu?”. Não, responderam os especialistas. Ao final do debate, a plateia continuou com a impressão de que está vivendo um período de ansiosas transições, e que mesmo quem entende do assunto ainda não tem uma palavra final a respeito.

O certo é que o livro continua de pé nas estantes, mesmo com o fantasma do derretimento da indústria musical pairando no ar. “Como editor, estou otimista”, disse Makinson, cuja empresa estendeu seus tentáculos na direção do Brasil – com a parceria Penguin/Companhia das Letras –, da Índia e de outros países asiáticos, mantendo inclusive uma tranquila convivência entre o suporte físico e o digital. A Penguin tem 75 anos de vida. “A gente está tentando criar a maior experiência possível para o leitor, com música, imagem e o que mais aparecer”, completou o editor.

“Meu pesadelo recorrente é acordar um dia e descobrir que os livros digitais foram todos apagados”, disse Darnton, um cultuador das bibliotecas que acaba de assistir a um processo histórico, a transposição digital, pelo Google, do denso acervo livresco de Harvard. “Eu admiro o Google, mas me preocupo com o fato de a empresa estar construindo o maior monópolio de informação de que se tem notícia”.

Os jornais também foram abordados, ainda que rapidamente. Ambos, Darnton e Makinson, são leitores à moda antiga, mas reconhecem transformações bem mais dilacerantes a caminho. “Para mim, a capa do New York Times é um mapa de ontem”, disse o historiador. “Os jornais em papel sofrem num mundo em que está se perdendo a imersão da leitura”, argumentou o CEO da Penguin.

Depois de filosofar a respeito da sobrevivência do livro, dos autores e das bibliotecas, ao final da mesa que encerrava sem chave de ouro uma discussão que começara ontem, Darton brincou: “Como vocês podem ver, sou alguém que não acredita na morte”.

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