Na Flip, antropóloga defende relação da literatura com as cidades

Michèle Petit, Dominique Gauzin-Müller e Marie Ange Bordas discutem de que modo cultura e leitura interagem com comunidades locais

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura |

Walter Craveiro/Divulgação
Michèle Petit na Flip 2011
"Para que o espaço seja habitável e para que possamos nele nos inscrever, temos que contar histórias", afirmou na primeira mesa da quinta-feira (7 de julho) a antropóloga francesa Michèle Petit, pesquisadora do acesso aos livros e à leitura em espaços de crise.

Se é assim, a Flip pode efetivamente trazer algo interessante para a cidade: na plateia da mesa Zé Kleber, muitos estudantes e professores ouviam atentos ao debate que reuniu Petit, a arquiteta Dominique Gauzin-Müller, também francesa, e a artista plástica brasileira Marie Ange Bordas.

A relação entre a leitura - "uma atenção delicada aos seres e às coisas", nas palavras de Petit -, a cultura e os espaços de convivência foi o cerne do debate mediado pelo poeta e artista plástico Alberto Martins.

Marie Ange, que trabalha com projetos de arte em zonas de conflito na África e em comunidades tradicionais no Brasil, concorda com a antropóloga francesa no que se refere ao potencial das narrativas na construção da identidade: "A arte permite o reconhecimento das diferenças e a possibilidade de marcar as pessoas pela experiência".

Todas essas relações não se dão, no entanto, apenas em espaços simbólicos. Eles acontecem em equipamentos urbanos - edifícios, praças, escolas, nas ruas. Daí a importância, ressaltada por Dominique, de um urbanismo sustentável e da relação entre a cultura e o desenho das cidades.

Nesse aspecto, é inegável que a Flip contribui com Paraty: além das atividades de incentivo à leitura que a Associação Casa Azul, organizadora do evento, promove ao longo do ano, os frequentadores habituais da festa literária podem notar, edição após edição, pequenas melhorias nos espaços ocupados pela Flip.

Para se chegar à tenda do telão, por exemplo, deslocada esse ano da Praça da Matriz para o outro lado do rio, um bonito passeio público beirando sua margem foi ampliado.

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