Beatriz Bracher, Reinaldo Moraes e Ronaldo Correia de Brito conversaram sobre suas obras

O trio no palco: Ronaldo Correia de Brito, Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes
Frâncio de Holanda
O trio no palco: Ronaldo Correia de Brito, Beatriz Bracher e Reinaldo Moraes
Três linhas de força significativas da literatura brasileira se encontraram na mesa “Fábulas contemporâneas”, na visão da mediadora Cristiane Costa: as da literatura urbana, com Reinaldo Moraes, do sertão, com Ronaldo Correia de Brito, e intimista, com Beatriz Bracher. Mais fortes do que elas, no entanto, foi a linha do humor: o público da Flip se divertiu com o trecho de Pornopopéia , lido por Moraes, e com as histórias de bastidores da escrita desse e de seu primeiro romance, o cultuado Tanto Faz . Os dois livros trazem histórias de desregramentos repletas de drogas e sexo.

Com o público conquistado por esse tempero, os três escritores puderam falar tranquilamente sobre o tema principal do evento: a literatura. Brito, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2009, falou da origem de alguns dos contos de seu novo livro, Retratos Imorais . Um deles, contou o escritor, que também é médico, foi inspirado em um paciente que iria ter as duas pernas amputadas.

“Escrever é ofício, é trabalho diário e permanente”, disse Brito, que costuma, antes mesmo de iniciar um romance, descrever longamente as memórias do personagem, seus gestos, modos de ser. Bracher, autora de três romances e de Meu Amor , que recebeu o prêmio Clarice Lispector como melhor livro de contos de 2009, falou sobre as fronteiras entre ficção e autobiografia. “O mais verdadeiro de você é o que você escreve como ficção”, defendeu. Ainda sobre a questão, Brito acrescentou, lembrando a psicanálise: “apenas o indivíduo que se narra é capaz de atingir a sanidade”.

A confusão entre personagem e autor causou confusões na carreira de Moraes. A primeira crítica em jornal de Tanto faz, conta ele, recriminava-o por exageros que na verdade eram do personagem. Como Moraes na época da escrita, o protagonista do livro vivia em Paris com uma bolsa do governo brasileiro e, mais do que estudar, cultivava com exageros todos os prazeres que estavam ao alcance.

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