Joe Sacco apresenta seu jornalismo em quadrinhos na Flip 2011

O autor de “Palestina: nação ocupada” explica sua opção por retratar pessoas comuns

iG São Paulo |

As histórias em quadrinhos e o conflito entre israelenses e palestinos estiveram no centro do palco da Flip na segunda mesa desse sábado (dia 9). Joe Sacco, cartunista, nascido em Malta, em 1960, e famoso por suas reportagens em zonas de conflito mostrou ao público da festa literária de que forma a linguagem da HQ possibilita um jornalismo diferente do tradicional: “os quadrinhos permitem reunir muita informação visual de uma maneira que seria estranha em um texto em prosa”. Eles permitem, Sacco deu como exemplo, insistir em informações relevantes, no fundo de cenas aparentemente banais em que dois personagens conversam em primeiro plano.

Embora suas obras, como “Palestina: uma nação ocupada” e “Área de segurança: Gorazde”, falem de alguns dos conflitos armados mais importantes das últimas décadas, seu maior interesse não é exatamente a guerra. “Todas as histórias sobre soldados são basicamente as mesmas histórias. Estou interessado nos civis”. E Sacco acrescentou: “a questão é que um massacre não termina quando as pessoas são atingidas pelos tiros”.

A objetividade não é prejudicada se a matéria-prima para o relato da História, com H maiúsculo, é a memória de pessoas comuns? Para Sacco, não. Por trás das versões conflitantes de um mesmo evento, há sempre uma verdade objetiva. No caso das centenas de civis mortos pelo exército israelense em 1957 nas cidades de Khan Younis e Rafah, que ele investiga em “Notas sobre Gaza”, por exemplo, essa verdade é: não se pode negar o massacre.

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Com a ocupação da Palestina pelos israelenses em pauta, poderia se esperar uma mesa quente e um público reagindo à altura. Não foi, no entanto, o que se viu. Umas das poucas perguntas (essa vinda da plateia) com potencial de tirar o entrevistado de sua zona de conforto foi respondida de maneira breve. Por que Sacco nunca retratou o conflito do ponto de vista dos israelenses? “A mídia norte-americana já se concentra demais nas narrativas israelenses”. Resposta consistente, mas morna, como toda a conversa.

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