A ilha sob o mar" / A ilha sob o mar" /

Isabel Allende e os dramas entre os grandes acontecimentos

Escritora chilena lança na Flip seu novo romance, A ilha sob o mar

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura |

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De acordo com Isabel Allende as paixões humanas são sempre as mesmas, não importa a época
É sobre o desejo de ler uma boa história que se sustenta a perenidade do romance. Os experimentalismos de hoje alimentarão o modo de narrar aos leitores de amanhã, mas o volume que efetivamente sairá das estantes em diferentes lugares do planeta trará, a despeito de qualquer outro valor, personagens cativantes e sucessão surpreendente de eventos. Eis a chave para compreender os cerca de 50 milhões de livros vendidos, em mais de trinta idiomas, pela peruana naturalizada chilena Isabel Allende (Lima, Peru, 1942).

Na gênese de seu primeiro e mais conhecido romance, A casa dos espíritos , de 1982, adaptado para o cinema, já se antevê a literatura que valorizará o escritor como um guardião do relato: na Venezuela, onde vivia após deixar o país natal por causa da ditadura, Allende recebe a notícia de que o avô, que a criara, está prestes a morrer. Põe-se, então, a redigir uma carta em que declara lembrar-se de tudo o que o avô lhe contou. A vida desse avô é a semente para a saga de ascensão e decadência da família de Esteban Trueba, em que está presente, de forma determinante, o impacto do golpe militar na vida dos chilenos.

A ilha sob o mar , de 2009, cuja edição brasileira será lançada na Flip, também insere histórias particulares em grandes panoramas. Nesse romance, o tempo é o século XVIII e a protagonista – mulher, como as personagens fortes de todos os livros de Allende – é a mulata Zarité, que aos nove anos é vendida como escrava ao proprietário de uma fazenda de açúcar em Santo Domingo, ilha onde hoje estão Haiti e República Dominicana.

Assim como em A ilha sob o mar , a bem realizada mescla de História e grandes dramas familiares e pessoais dá corpo a outros sucessos da premiada escritora. De amor e de sombras, de 1984, que também ganhou versão para as telas, relata um amor que se desenvolve, com todos os percalços tradicionais, durante a ditadura de Pinochet. A filha da fortuna , de 1999, e Retrato em sépia , de 2000, seguem a mesma linha.

Outro testemunho do poder da narrativa para Allende é Paula , de 1994. Nessas memórias, a escritora registra os relatos que gostaria de contar à filha, em coma por causa de um raro mal genético, quando esta despertasse – o que não aconteceria. A morte da filha de 28 anos motivou a criação, em 1996, da Fundação Isabel Allende, que trabalha pela proteção e capacitação de mulheres.

A história, afirmou certa vez a escritora, fornece os cenários para os romances, mas as paixões humanas são sempre as mesmas, não importa a época. Foi com esse material que Isabel Allende escreveu os 17 livros que a transformaram numa das principais romancistas latino-americanas das últimas décadas.

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