Gilberto Freyre: menino, homem e escritor

Sociólogo lembra passagens de sua vida intelectual e revela momentos íntimos

Júnior Milério, iG São Paulo |

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Freyre posa com a família na década de 1950
Escritor de Apipucos, Gilberto Freyre disse em certo momento da vida que, se escrevesse sua biografia a chamaria de "Um homem no meio de um século". Hoje, 110 anos depois do seu nascimento, é lançado De menino a homem - de mais de trinta e de quarenta, de sessenta e mais anos (Global, 2010, R$ 59) obra considerada uma sequência de Tempo morto e outros tempos, livro que apresentava, em 1975, a adolescência e parte da mocidade do intelectual brasileiro.

O autor que colaborou com a definição da identidade nacional proporciona, em páginas reveladoras, acesso ao universo do pernambucano. Da vida intelectual a momentos íntimos, a leitura do capítulo seguinte é instigada a cada parágrafo. Personalidades da sociedade brasileira e estrangeira são percebidas no texto com a mesma proximidade em que conviveram com Gilberto Freyre.

As notas do historiador Gustavo Henrique Tuna guiam o leitor no texto sobre a movimentada vida do pensador que, consagrado entre os maiores do século 20 na América Latina, foi dono de honrarias desejadas por intelectuais de todo o mundo. As divisões do livro são esclarecedoras, como a apresentação, feita pela pesquisadora Fátima Quintas, que estimula uma leitura ininterrupta do texto inédito e publicado 23 anos depois da morte do autor de Casa-Grande & Senzala .

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Freyre quase dialoga com o leitor ao detalhar sua vida. Trata da sua formação no exterior e menciona que pôde contar com “anjos da guarda” em situações decisivas de sua carreira. O autor escreve em tom confidencial sobre o primeiro amor, timidez e certa tendência dionisíaca, porém pudicamente controlada, exceto pelas experiências homossexuais vivenciadas, primeiramente, na Alemanha dos anos 1920, explícitas em trechos como “Eu próprio, diante de lindo efebo louro, não resistira aos seus encantos...”.

O álbum de fotografias publicado no final do texto inédito ilustra um conteúdo curioso e quase à margem da produção intelectual de Gilberto Freyre, visto seu cunho autobiográfico. Imagens do seu casamento com Magdalena Guedes Pereira e do escritor e amigo José Lins do Rego nos aproximam da vida do Freyre que, com suas obras de cunho social, também publicadas no exterior, despertou outros olhares sobre o Brasil.

Por fim, surpresas extras, anexos que corroboram a destreza na prosa do sociólogo – são mais de 20 páginas que homenageiam do poeta Manuel Bandeira ao compositor Heitor Villa-Lobos. Esses textos, publicados na imprensa e outros livros, antecedem a bibliografia detalhada cronologicamente de um homem além de um século e também poeta.

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