Flip termina com todo mundo nu

Apresentação do grupo teatral de Zé Celso faz última homenagem a Oswald de Andrade

Valmir Moratelli, enviado especial a Paraty |

Valmir Moratelli
Peça de Zé Celso Martinez
Coube a uma das figuras mais polêmicas do teatro brasileiro encerrar a Flip , no final da tarde deste domingo, 10. Tendo Oswald de Andrade, pai do manifesto antropofágico, como homenageado da edição 2011, não poderia ter havido um final mais “antropofágico” no sentido mais amplo do termo: com todo mundo nu, em um banquete misturado a frutas tropicais, terra de chão batida e a paisagem do mar ao fundo.

Leia a cobertura completa da Flip

A companhia teatral Oficina Uzyna Uzona, de Zé Celso, já havia causado polêmica há quase duas décadas, com direito até a ação judicial por parte da igreja católica. Na adaptação do poema de Oswald de Andrade, o s atores usam alguns objetos  que substituem símbolos de culto - o sangue e o corpo de Cristo são representados por uma banana e uma taça de vinho. O caso, porém, foi arquivado.

Zé Celso, vestido de papa, dialoga o tempo todo com os músicos e os atores completamente pelados. Em dado momento, pessoas da plateia são chamadas ao palco para também se despirem e se juntarem à trupe. Constrangimento que não passa perto do experimentalismo já tão conhecido das peças de Zé Celso.

Leia também: James Ellroy e valter hugo mãe se destacam na Flip 2011

AE
Cena da peça de José Celso que encerrou festa
A pedido da prefeitura, a área em torno da tenda do telão foi totalmente cercada, para evitar a presença de menores de idade. Mas bastou que a peça começasse, para que a turma que não conseguiu ingresso fizesse barulho além dos muros de proteção. Tudo se encaminhava para um fracasso retumbante. Se não fosse por Zé Celso, que parou a cena por um minuto pedindo que liberasse a entrada dos barrados, em nome da “liberdade e democratização do teatro”. Pedido atendido, silêncio refeito, a peça seguiu seu rumo. Índios canibais, Napoleão Bonaparte, compositor Carlos Gomes, revolução francesa, bolcheviches... Teve de tudo no caldeirão lotado, ou seja, cerca de duas mil pessoas na tenda do telão.

Atores iam abrindo a braguilha dos homens, colocando os órgãos genitais para fora, e baixando a calça das moças. Nem todos ficaram assim por muito tempo. Não houve frio que desanimasse os mais afoitos. “Dá uma adrenalina, a impressão é que as pessoas vão me tocar a qualquer momento”, comentou uma mulher. “Só vou tirar a roupa e ir lá para o meio se vieram me tirar do meu lugar”, comentou outra. Logo chegaria a vez dela servir de comida aos olhos dos famintos presentes.

No meio dessa “suruba visual”, foram poupados os autores que ali estavam. Após quatro horas de apresentação, Zé Celso chamou ao centro da arena a argentina Pola Oloixarac e vater hugo mãe , para lerem trechos de suas histórias favoritas. Para decepção de muitos que ficaram até o último minuto, não, Pola não tirou a roupa. “Não teria esta coragem toda”, ria a argentina, brindando a performance com uma taça de vinho e um cacho de uvas.

Valmir Moratelli
Peça em homenagem a Oswald de Andrade

    Leia tudo sobre: flipzé celso martinez

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG