Elza Soares: "Minha vida daria um best-seller"

Cantora fala ao iG antes do show de abertura da FLIP, onde se apresentou ao lado de Jose Miguel Wisnik e de Celso Sim

Valmir Moratelli, enviado especial a Paraty (RJ) |

Beto Lima
Elza Soares: "Sou gostosa e quente"

A voz estridente, que vai do agudo ao grave em poucas sílabas, é inconfundível. São de Elza Soares as palavras que se ouve já bem perto de seu camarim. Aquecendo a voz, de luvas, vestido marrom, casaco de veludo e plumas brancas, a cantora recebe a reportagem do iG momentos antes de abrir oficialmente a Festa Literária de Paraty (FLIP), na noite de quarta-feira, 6.

Alguém mexe com ela, dizendo que mantém em comum a paixão pelo Botafogo. A ex-mulher do craque Mané Garrincha, eternizado na história do clube carioca, puxa papo, então, já pelo futebol. E provoca os presentes com sua própria memória de vida.

“Ele era flamenguista. O bom Zé Mané era flamenguista, sim senhor! Ele era aleijado, tinha perna torta, e só por isso não foi aceito lá. Assim como ele, eu sou Flamengo... O Botafogo maltratou muito o Mané. Tomava muita injeção no joelho para aliviar as dores após as partidas. Eu é que segurava as contas em casa”, vai contando Elza, enquanto termina de se preparar para a apresentação.

Beto Lima
Não gosto de história triste
Futebol sem euros

Em instantes ela se servirá de um público atento ao lado do músico e literário Jose Miguel Wisnik e de Celso Sim, em uma tenda para mais de cinco mil pessoas. Sobre literatura, a cantora diz que tem muitas outras histórias que renderiam livros e mais livros.

“Minha vida daria um best-seller. Se eu fosse escrever um, seria terrível. A gente, eu e o Mané, sofreu muito. Não gosto nem de lembrar disso. Hoje em dia o futebol tem muito euro. Naquela época não era nem cruzado. Na pobreza, não tinha mulher caindo em cima de jogador, não. Aliás, quem tinha dinheiro na relação era eu. A rica era a Elza”, diz.

Sofrimentos, ela sabe disso, fazem parte dos mais interessantes enredos literários, sejam eles baseados em fatos reais ou meramente de ficção. Mas para leitura de lazer, Elza prefere os clichês românticos.

“Não gosto de tristeza, choro direto. Acompanho as histórias como se fossem reais. Por isso que nem vejo novela, minha vontade é matar os vilões todo dia. Não posso assistir, porque fico desesperada em casa na frente da televisão”, conta.

Na plateia, escritores renomados como a argentina Pola Oloixarac e o angolano vanter hugo mãe (assim mesmo, em minúsculo). Pola, inclusive, estava com sua filmadora para registrar todos os momentos da apresentação.

“Não existe mais quente”

Recuperando-se de uma cirurgia na coluna cervical, Elza só pensa em voltar à outra paixão, sua escola de samba “querida”, a Mocidade Independente de Padre Miguel. Foi lá que ela fez, veja só, história, ao ser a primeira mulher a puxar um samba-enredo na Avenida. Para ir ao palco, é preciso uma certa ajuda de amigos para se apoiar. Uma cadeira de rodas fica de prontidão para qualquer imprevisto.

“Assim que eu me recuperar da coluna, volto para Sapucaí. Sou quente e gostosa, com Padre Miguel na cabeça. Aliás, amanhã completo um mês da operação na coluna cervical. Preciso beber para comemorar! Vou ainda demorar uns três meses mais para me recuperar de vez. Estava ficando sem andar por causa disso. Estou de novo bonita, continuo amando, casadíssima. De volta de novo”, avisa, com protuberância peculiar de suas sobrancelhas armadas.

Elza se levanta e se encaminha para o palco, onde vai cantar poemas da literatura brasileira. Não sem antes virar e dizer: “Isso aqui é muito amor. É você entender o que é respeito à vida. Assim você fica feliz. É ter o poder de se revigorar sempre”, afirma, como se mandasse um recado a quem aguarda por mais algumas de suas boas histórias. Elza tem várias para contar. E cantar também.


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