¿É bom fazer poesia: ninguém te obriga¿

Poeta Ferreira Gullar arrebata a plateia de Paraty

Cadão Volpato, enviado a Paraty |

Agência Estado
O poeta Ferreira Gullar encanta a plateia de Paraty
O poeta Ferreira Gullar traz as palavras na ponta da língua. Perto de completar 80 anos, no próximo setembro, ele também mostrou que sabe carregar a plateia no bolso, como fez na tarde de sábado na mesa mediada por Samuel Titan Jr.

Ao contrário das previsões mais pessimistas, a poesia como tema e a idade avançada do entrevistado jogaram a favor, e a mesa se transformou num dos três grandes sucessos da FLIP, ao lado de Isabel Allende e Terry Eagleton, com um saldo favorável a Gullar. Allende falou mais da vida íntima. Eagleton atacou Richard Dawkins. Gullar defendeu a poesia usando as palavras como ninguém.

Samuel Titan conduziu a conversa usando a linha do tempo. Situou Gullar no começo da carreira, ainda nos anos 40. Incrível como Gullar se presta a uma avaliação histórica da poesia brasileira: ele foi parnasiano até conhecer a poesia de Drummond, inventou uma espécie de base para o Concretismo (no livro A Luta Corporal ), rompeu com o movimento, abraçou o neo-concretismo, junto da vanguarda das Artes Plásticas (Lígia Clark, Hélio Oiticica, Mário Pedrosa); rompeu com a vanguarda, entrou para o Partido Comunista, depois de tentar o cordel e a poesia de barricadas do CPC, caiu na clandestinidade, foi exilado, escreveu aquela que foi a obra mais emblemática da ditadura, o Poema Sujo.

E está aí até hoje, lançando, enfim, um novo livro ( Em Alguma Parte Alguma ), do qual leu alguns poemas aplaudidíssimos. Saiu ovacionado, provando que os brasileiros honram seus verdadeiros poetas, basta encontrá-los pela frente. E Gullar é, de fato, o nosso último grande poeta. Vale a pena destacar algumas frases da conversa:

“Nasci em Macondo, aquela cidade de Cem Anos de Solidão onde tudo acontecia cem anos depois”

“Antes de ser poeta, eu queria ser pintor. Eu pinto mal, mas pinto. Penso mais sobre pintura. Não penso sobre poesia. Eu faço”.

“A gente pensa que o mundo está explicado, mas não está”.

“A teoria do Big Bang tá errada. Nada não explode”

“Não é fácil mudar o país. Se não é para mudar nada, pelo menos vamos fazer boa poesia”

“Cheguei ao Chile, caiu Allende. Fui para Buenos Aires, morreu o Perón. O pessoal dizia: Não vem pra cá não!”

“A arte existe porque a vida não basta”

“A poesia nasce do espanto. Entro num barato. É como se estivesse começando do zero”

“É bom fazer poesia: Ninguém te obriga”

    Leia tudo sobre: FlipFerreira Gullar

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG