David Byrne fala de suas pedaladas pelo mundo

No último dia da Flip, o músico falou de sustentabilidade e urbanismo ao lado de Eduardo Vasconcellos

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura |

Beto Lima
David Byrne na Flip 2011: menos literatura e mais meio ambiente, sustentabilidade e cidadania
David Byrne não chegou à tenda dos autores da Flip pedalando na ciclovia que esse ano foi estendida até a orla. Mesmo assim sua bicicleta não saiu do palco. O criador dos Talking Heads e o especialista em transportes Eduardo Vasconcellos tornaram a festa menos literária na manhã desse domingo, mas muito mais antenada com grandes questões da atualidade: meio ambiente, sustentabilidade e cidadania.

O músico, que na noite de sábado foi presença discreta em uma das festas que reuniu celebridades e o povo do meio literário, mostrou com fotografias, ilustrações e vídeos de urbanismos que deram certo e errado. Suas andanças sobre rodas – ele usa a bicicleta há décadas em Nova York e em suas turnês pelo mundo – lhe deram uma visão privilegiada dos problemas das grandes cidades. Essas viagens são contadas em seu livro “Diários de bicicleta”, de 2009.

Muitos de seus diagnósticos valem para as metrópoles brasileiras: “estacionamentos criam zonas mortas, lugares só para máquinas, onde nada acontece. Isso afeta as áreas em volta, como um veneno”. Byrne, que não falou de música, cita Berlim, Amsterdam e Copenhague como as cidades mais preparadas para os veículos de duas rodas.

A bicicleta não é, porém, apenas uma forma de preservar o meio ambiente. É uma nova forma de se relacionar com as cidades, com o mundo. Essa relação única permitiu, por exemplo, que Byrne conhecesse o que ele chamou de “a pior banda do mundo” numa rua de Nova York: “Se eu estivesse em um carro não teria parado para apreciar quão ruins eles eram”.

Depois dos depoimentos, muito deles engraçados como esse, de um ativista que rodou o mundo, as palavras de um especialista. Vasconcellos explicou a plateia que, para que um dia as bicicletas tenham seu espaço, é preciso brigar antes em outras duas frentes: a da democracia e a da cidadania. A primeira, segundo ele, já é forte no Brasil. A da cidadania, não. “O fato de o pedestre agradecer ao motorista que para o carro antes da faixa, que é um espaço do pedestre, é um sintoma claro da falta de cidadania”, afirmou. Vasconcellos é autor de vários livros sobre o tema, entre eles “Circular é preciso, viver não é preciso: a história do trânsito na cidade de São Paulo” (2002) e “Transporte e meio ambiente” (2008).

    Leia tudo sobre: david byrneflip

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG