Contos de duas cidades na Festa Literária de Paraty

William Kennedy e Colum McCann conversam sobre Albany e Nova York, temas de seus principais livros

Cadão Volpato, enviado a Paraty |

Agência Estado
William Kennedy e Colum McCann discutem Albany, Nova York e outras aldeias
A conversa entre os escritores William Kennedy e Colum McCann, ocorrida ao meio-dia deste sábado, foi uma das mais fiéis ao tema, Albany, Nova York e Outras Aldeias. Tanto Kennedy, nascido e estabelecido em Albany, quanto McCann, cidadão de Dublin radicado em Nova York, falaram sobre a batida – mas ainda assim importante – questão literária da universalidade.

Autor de um clássico contemporâneo, o dilacerante Ironweed (Cosacnaify), Kennedy tem raízes irlandesas, embora entenda pouco de Irlanda, como ele mesmo frisou na conversa. Seu assunto favorito é Albany, sobre a qual escreveu até um livro de história, além de ter usado a cidade como paisgem orgânica pela qual trafegaram seus erráticos e fracassados personagens em sete romances notáveis. “Levei a vida inteira para aprender sobre a minha cidade”, disse ele.

McCann adotou Nova York – ou foi adotado por ela –, a ponto de escrever um dos livros mais pungentes sobre uma cidade que já foi e continua sendo tão celebrada na literatura. O romance Deixa o Mundo Girar (Record) parte da famosa travessia feita pelo francês Philippe Petit sobre um fio esticado entre as Torres Gêmeas, em agosto de 1974, para refletir simbolicamente os acontecimentos de 11 de setembro de 2001. A literatura acabou espelhando duas cidades separadas no tempo: a que assiste ao homem pendurado nos fios e aquela que presencia a destruição das torres entre as quais este feito notável ocorreu. “Queria falar sobre um momento de beleza, não de destruição”, disse o escritor.

O diretor da bela adaptação cinematográfica de Ironweed, Hector Babenco, estava na plateia. “Jack Nicholson disse à revista Playboy que foi a melhor atuação da sua carreira”, contou Kennedy. “Para mim, é um grande filme, embora a crítica tenha se dividido”.

“Bill é um dos meus heróis, um dos grandes da literatura contemporânea”, contou McCann. Kennedy, no entanto, anda meio esquecido nos Estados Unidos. O irlandês, ao contrário, teve o seu romance sobre as Torres Gêmeas e os tristes personagens de Nova York colocado nas alturas. McCann encontrou o seu lugar.

No caso do autor de Ironweed , o esquecimento é uma das grandes injustiças a que os artistas modernos, no tempo da voracidade dos meios de informação, andam submetidos. Com a nova edição da Cosacnaify, Ironweed pode ser aberto de novo no Brasil, ganhando novos leitores. Era o mínimo que podia ser feito para reparar o destino deste grande livro.

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