Chá pós-colonial: uma mesa sem empolgação

William Boyd e Pauline Melville não coneguem brilhar em uma discussão mal idealizada

Cadão Volpato, enviado a Paraty |

Frâncio de Holanda
Os escritores Pauline Melville e William Boyd
Numa feira literária em que, até agora, a literatura ocupou um papel secundário, os encontros entre escritores são aguardados com alguma expectativa. Mesmo que eles não sejam tão conhecidos – caso de William Boyd e Pauline Melville, dois autores carregados de fleuma britânica nascidos em antigas colônias (ela, na Guiana, ele, em Gana).

Daí o título meio estapafúrdio da mesa, Chá pós-colonial, que os autores e o próprio criador do termo, o curador Flávio Moura, fizeram questão de ironizar.

O que se viu, no entanto, foi uma discussão sem graça. Tanto Boyd quanto Melville pouco herdaram de seus países de origem. Eles estão mais para Londres do que para as pós-colônias. “Eu era um outsider em Gana. Mas nunca me senti em casa na Inglaterra”, disse Boyd, cujos pais têm origem escocesa. Sentir-se estranho em qualquer parte do mundo atual não é exatamente uma anormalidade.

Os dois leram trechos não muito extraordinários de seus últimos livros, e Boyd causou um certo frisson ao elogiar os contos de Ernest Hemingway e desancar os seus romances, que chamou de “lixo”.

Coube à ex-atriz Pauline Melville, porém, o único momento mais empolgante do encontro. Ao narrar a tentativa de assassinato de que foi vítima, ela declarou: “Nunca me senti tão viva!”. Finalmente a literatura havia entrado em cena.

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