Após início com sociologia, literatura chega à Flip

Lionel Shriver e Patrícia Melo falaram sobre maldade na segunda mesa da festa

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura |

Agência Estado
Patrícia Melo lê trecho de seu último livro na Flip
O público que veio a Paraty em busca de literatura deve ter ficado satisfeito. Após duas mesas sobre a obra do homenageado da Flip deste ano, o sociólogo Gilberto Freyre, as romancistas Lionel Shriver, norte-americana, e Patrícia Melo, brasileira, travaram um bom diálogo sobre ficção com o jornalista e escritor Arnaldo Bloch, na mesa "De frente para o crime".

Shriver leu trecho de O mundo pós-aniversário , romance em que uma mulher precisa optar por manter o relacionamento longo e estável ou aventurar-se numa paixão sem limites. A brasileira escolheu para leitura trecho de seu mais recente romance, Ladrão de cadáveres , no qual o narrador se muda de São Paulo para Corumbá e acaba envolvido com o tráfico.

A primeira parte da conversa foi toda dedicada a Precisamos falar sobre o Kevin , grande sucesso da autora norte-americana. No livro, uma mãe fala do filho, autor de massacre similar ao que ocorreu na escola de Columbine, nos EUA. A escritora explicou ao público que a gênese do romance, escrito aos 44 anos, teve relação com seu medo da maternidade e que ele “a livrou da ideia de filhos”. Para Patrícia Melo, o fascinante no livro da colega é a descrição do “fenômeno moderno do uso da violência como linguagem”.

A partir da daí, a discussão encaminhou-se para a questão da “natureza do mal”. “Chamar uma pessoa de má é uma forma de desumanizá-la”, defendeu Shriver, avessa à ideia de que a maldade seria inata. Terreno fértil para a escritora brasileira, cujos romances retratam a violência das cidades e estão repletos de criminosos, o tema rendeu-lhe os melhores momentos do debate.

Melo reclamou que sempre lhe cobram explicações sobre a maldade. “Escrevo justamente porque não a entendo. O que me faz escrever é uma sensação de impotência intelectual para dar conta das questões pessoais, profissionais e filosóficas que não domino.” Muitos aplausos e público satisfeito na saída do primeiro debate sobre literatura desta edição da Flip.

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