Lionel Shriver e Patrícia Melo falaram sobre maldade na segunda mesa da festa

Patrícia Melo lê trecho de seu último livro na Flip
Agência Estado
Patrícia Melo lê trecho de seu último livro na Flip
O público que veio a Paraty em busca de literatura deve ter ficado satisfeito. Após duas mesas sobre a obra do homenageado da Flip deste ano, o sociólogo Gilberto Freyre, as romancistas Lionel Shriver, norte-americana, e Patrícia Melo, brasileira, travaram um bom diálogo sobre ficção com o jornalista e escritor Arnaldo Bloch, na mesa "De frente para o crime".

Shriver leu trecho de O mundo pós-aniversário , romance em que uma mulher precisa optar por manter o relacionamento longo e estável ou aventurar-se numa paixão sem limites. A brasileira escolheu para leitura trecho de seu mais recente romance, Ladrão de cadáveres , no qual o narrador se muda de São Paulo para Corumbá e acaba envolvido com o tráfico.

A primeira parte da conversa foi toda dedicada a Precisamos falar sobre o Kevin , grande sucesso da autora norte-americana. No livro, uma mãe fala do filho, autor de massacre similar ao que ocorreu na escola de Columbine, nos EUA. A escritora explicou ao público que a gênese do romance, escrito aos 44 anos, teve relação com seu medo da maternidade e que ele “a livrou da ideia de filhos”. Para Patrícia Melo, o fascinante no livro da colega é a descrição do “fenômeno moderno do uso da violência como linguagem”.

A partir da daí, a discussão encaminhou-se para a questão da “natureza do mal”. “Chamar uma pessoa de má é uma forma de desumanizá-la”, defendeu Shriver, avessa à ideia de que a maldade seria inata. Terreno fértil para a escritora brasileira, cujos romances retratam a violência das cidades e estão repletos de criminosos, o tema rendeu-lhe os melhores momentos do debate.

Melo reclamou que sempre lhe cobram explicações sobre a maldade. “Escrevo justamente porque não a entendo. O que me faz escrever é uma sensação de impotência intelectual para dar conta das questões pessoais, profissionais e filosóficas que não domino.” Muitos aplausos e público satisfeito na saída do primeiro debate sobre literatura desta edição da Flip.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.