A literatura brasileira contemporânea dá as caras na Flip

Mesa com Marcelo Ferroni, Edney Silvestre e Teixeira Coelho não foge do clima ameno

Estevão Azevedo, especial para o iG Cultura |

“A verdade é absolutamente irrelevante. O que eu procuro é uma versão coerente, que dê conta da realidade”. Quando Edney Silvestre respondeu a essa afirmação categórica de Teixeira Coelho com uma ainda mais categórica, “existe verdade, sim”, a impressão foi a de que a mesa “Ficções entre escombros” poderia finalmente decolar. Até então, imperava no palco da Flip , que além de Silvestre e Coelho, trazia o escritor Marcelo Ferroni e o mediador Claudiney Ferreira, um clima ameno demais para quem buscava conhecer a prosa brasileira contemporânea.

Se houve de fato uma pequena melhora, ela não foi suficiente para apagar a primeira impressão. Na Flip costuma-se acreditar – com razão – que a interação direta entre os convidados tende a render bons momentos. No caso da mesa desse sábado (dia 9), houve, porém, um curioso efeito contrário: durante a primeira metade, parecia haver no palco mais mediadores que escritores, tamanha a quantidade de interrupções que impediam o desenvolvimento dos raciocínios.

Exceção feita às falas de Teixeira Coelho, o debate não remexeu nos escombros como prometia e não foi muito além da apresentação dos enredos e da discussão sobre a existência de uma única verdade. Coelho, que além de autor dos romances “História natural da ditadura”, vencedor do Portugal Telecom em 2006, e de “O homem que vive” – uma jornada sentimental (2010), aprofundou as discussões ao discutir o papel do “esquecimento como uma forma criativa da memória”, referindo-se às dores da ditadura militar no Brasil.

Foi pouco para uma mesa com autores de qualidade reconhecida pelos principais prêmios literários brasileiros. Silvestre venceu o Jabuti de melhor romance e o Prêmio São Paulo de Literatura em 2010 com “Se eu fechar os olhos agora”. “Método prático de guerrilha”, de Ferroni, que retrata ficcionalmente os últimos dias de Che Guevara na Bolívia, é finalista do Prêmio São Paulo de Literatura deste ano.

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