A ficção real de Lionel Shriver

Escritora norte-americana quer divertir, mas com os pés apoiados na realidade

Marco Tomazzoni, enviado a Paraty |

Agência Estado
Lionel Shriver na Tenda dos Autores
A norte-americana Lionel Shriver não vive em um mundo de fantasia. Apesar de escrever ficção, a autora aborda continuamente a realidade em seus trabalhos. No caso do premiado thriller Precisamos Falar sobre o Kevin , foi a família de um garoto que matou a tiros seus colegas de escola, assim como aconteceu em Columbine. Em seu novo romance, So Much For That , é o problemático sistema de saúde nos Estados Unidos. “Lembro de fases da minha vida em termos do que estava acontecendo no mundo na época”, afirmou nesta quinta-feira.

Por isso mesmo, Shriver contribui como colunista para veículos como Guardian, The New York Times e a revista The Economist. É a oportunidade de extravasar tudo o que ela pensa, sem precisar descarregar suas angústias no mundo literário. “Sou uma grande leitora de jornais e gosto de estar envolvida nas notícias. Tenho muitas opiniões, que são demais para a ficção. Ninguém quer um romance que fica pregando, ainda mais politicamente. O jornalismo, então, é muito importante para mim.”

Há anos morando em Londres, depois de passar por Tailândia, Quênia e Irlanda do Norte, Lionel – originalmente Margaret Ann – diz ter preferência por assuntos como demografia e imigração e demonstra saber do que está falando. Como a intervenção de tropas estrangeiras no Afeganistão, por exemplo. “É uma guerra que não vamos conseguir vencer, uma perda de vidas e de dinheiro. Não quero meus compatriotas mortos sem razão nem dinheiro indo pelo ralo ou alimentando a corrupção. Possivelmente ficariam lá para sempre. Só precisamos ir embora.”

Ao mesmo tempo, a autora diz que não considera a literatura "um remédio". Quer, isso sim, divertir, mesmo que suas histórias tenham como pano de fundo problemas reais. "Considero a ficção um prazer. Quero fazer livros que motivem as pessoas a ler, sejam divertidos e ocasionalmente ensinem alguma coisa que você não sabe."

Sucesso editorial no mundo, com 15 mil cópias vendidas no Brasil – número bastante expressivo para o mercado nacional –, Precisamos Falar sobre o Kevin chegará em breve às telas britânicas. Estrelada por Tilda Swinton e John C. Reilly, a adaptação chega nos próximos meses nos cinemas da Inglaterra e será exibido no início do ano que vem na televisão local. Mesmo esperançosa depois de ter visto algumas versões do roteiro, Shriver tenta não alimentar a expectativa. “Quando você vende os direitos de um livro, vende sua alma. Não tem mais nenhum poder sobre ele. Por isso, sempre faço questão de dizer: se for uma droga, não é culpa minha.”

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