Risos fartos marcam debate dos cartunistas Angeli e Laerte na Flip

Eles se classificaram como humoristas, se dividiram sobre stand up e Laerte ainda deu dica de vestido para a plateia

Valmir Moratelli , enviado a Paraty (RJ) | - Atualizada às

Dois dos principais cartunistas do país reunidos para contar casos e causos sobre seus trabalhos. Não podia ser diferente. A noite de sábado (7) se encerrou na Flip 2012 sob risos e aplausos, muitos aplausos.

Desde cedo era uma das mesas mais aguardadas. Tanto que foram distribuídas apenas cinquenta senhas para quem quisesse que eles autografassem seus livros. Tudo para evitar tumulto ao término do debate. Não foi suficiente. Centenas de pessoas se aglomeraram para chegar perto de ambos.

Angeli começou se definindo como humorista. “O humor é um leque de possibilidades vasto. Acho que faço de tudo um pouco, mas com uma pegada maior para o humor negro. Me incomoda um pouco essa coisa do stand up, talvez tenha um certo humor baixo”, disse.

Laerte, de maquiagem e um longo vestido, defendeu os novos comediantes de bar. “Acho que interessa a este tipo de comediante a confusão entre sua imagem como comediante e a de pessoa real”, disse.

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Em seguida, contaram situações nas quais já enfrentaram a ira de quem não entendeu – ou não quis entender – suas piadas nas histórias em quadrinhos que produzem há décadas. “Inventei uma vez um personagem que era um assassino com Alzheimer. Ele chegava numa cidade e esquecia quem tinha que matar. Era guiado pela opinião dos outros. Recebi crítica de parentes de portadores de Alzheimer. Eles tinham razão em ficar chateados, mas eu também tinha”, contou Laerte, se assustando com sua voz grave no microfone.

Já Angeli brincou com o fato de que não tem memória recente. “Fumei muito orégano na vida, de vez em quando me dá um branco total. Comecei a fazer, por isso, tirinhas sobre o envelhecimento. Estou ficando velho”, disse ele, em tom jocoso. Quanto aos personagens que criaram, Laerte disse que as pessoas não devem acreditar em tudo que leem nos quadrinhos, enquanto que o amigo afirmou que não gostaria de ter como colega nenhuma das suas criações.

Por fim, eles lembraram do parceiro e também cartunista Glauco, com quem formavam a chamada “santíssima trindade” do cartunismo brasileiro. “Ele tinha um poder de sensibilidade e intuição incrível, para exercer a crueldade do humor com destreza”, definiu Angeli. Ao abrir perguntas para a plateia, uma das presentes quis saber onde Laerte havia comprado seu vestido. Ele respondeu com o nome da loja, sem pensar duas vezes.

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Sendo diversas vezes interrompidos por aplausos do público, Laerte e Angeli fizeram uma excelente dobradinha na última mesa deste sábado na Flip. Entrando na reta final, a feira literária de Paraty termina neste domingo (8).

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