Escritores foram os responsáveis por alguns dos melhores momentos da 10ª edição da festa

Ian McEwan, Jonathan Franzen, Javier Cercas. Se os grandes destaques da edição 2012 da Festa Literária de Paraty, a Flip , tivessem que ser reduzidos a apenas três, estes autores provavelmente estariam na lista. Ou talvez tivessem que dar lugar a Jennifer Egan ou Enrique Vila-Matas. Ou quem sabe ao poeta sírio Adonis.

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McEwan , um dos mais importantes escritores vivos, aproveitou a Flip para o lançamento de seu mais recente trabalho, "Serena". Na mesa que dividiu com Jennifer Egan , o britânico esbanjou. E não teve pudor em admitir que um de seus grandes prazeres como autor é manipular o leitor.

"Há um prazer de manipular o leitor, sim. Diria até que é o meu principal prazer na vida. Ser chamado de manipulador é ser acusado de ser romancista", definiu McEwan, arrancando risadas do público.

Quem também encantou a plateia foi o americano Jonathan Franzen . Abusando da ironia e do humor (chegou a citar a letra de uma música de Jennifer Lopez durante a palestra), o escritor falou sobre sua obra mais recente, "Liberdade", e também opinou sobre a função da literatura no mundo atual.

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"Um livro permite que a pessoa passe um tempo com ela mesma. E, de uma certa maneira, reflita sobre sua própria vida. A função de um livro sério é usar sua capacidade de divertir para preservar a individualidade. Acho que, basicamente, nós escritores estamos tentando salvar a humanidade através do divertimento."

A função do escritor também foi debatida pelo espanhol Javier Cercas , que dividiu uma mesa com o colombiano Juan Gabriel Vásquez. Para cercas, "um bom romancista cria problemas onde ninguém vê".

Outro espanhol, Enrique Vila-Matas , fez uma crítica indireta a eventos com a Flip, dizendo que "escritores não devem ser vistos, devem ser lidos". Sua palestra, na noite de sábado, dividiu o público - enquanto uns acompanhavam com atenção, outros deixavam a Tenda dos Autores.

Já o poeta sírio Adonis , por sua vez, falou pouco sobre literatura. A mesa que dividiu com o libanês Amin Maalouf foi dominada pela política - especialmente a Primavera Árabe.

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Adonis mostrou-se cético em relação às revoltas, inclusive na Síria. "Se a sociedade não mudar, será apenas uma troca de regime. Se não houver uma separação radical entre política e religião e se a mulher continuar prisioneira da lei islâmica, a mudança não significa nada para mim."

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