"Escritores não devem ser vistos, devem ser lidos", diz Vila-Matas

Autor espanhol dividiu público com densa reflexão sobre os rumos da literatura

Augusto Gomes , enviado a Paraty (RJ) |

Walter Craveiro/Divulgação
Enrique Vila-Matas

"Escritores não devem ser vistos, devem ser lidos". A frase parece bastante óbvia, mas dita num evento como a Flip , em que pessoas disputam ingressos para ver e ouvir autores de perto (e depois ainda enfrentam filas por um autógrafo), soa bastante provocativa.

Ela saiu da boca do autor espanhol Enrique Vila-Matas, durante conferência na noite deste sábado, na Tenda dos Autores. Foi sua segunda participação nesta edição da festa - na quinta, ele já havia participado de um debate com o jovem escritor chileno Alejandro Zambra .

A dose dupla aconteceu porque Vila-Matas foi o escolhido para substituir o francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, que cancelou sua vinda à Flip devido a problemas de saúde. Vila-Matas não dividiu esta segunda mesa com ninguém, nem mesmo um mediador. Apenas sentou-se e leu três textos.

A frase "escritores não devem ser vistos, devem ser lidos" estava no segundo deles, intitulado "Música para Malogrados" (mesmo título da conferência). Uma densa reflexão sobre os rumos da literatura, a leitura dividiu o público - enquanto uns acompanhavam com atenção, outros deixavam a tenda.

O ponto alto, no entanto, foi o primeiro texto, um conto em homenagem ao escritor italiano Antonio Tabucchi, morto este ano. No mais puro estilo de Vila-Matas, o texto embaralhou realidade e ficção (mais do que isso: questionou as definições de realidade e ficção) com erudição e um fino senso de humor.

O terceiro e último texto, dividido em tópicos, trouxe uma série de justificativas que o levaram a escrever "Ar de Dylan", seu mais recente trabalho. Publicado na Espanha no início deste ano, o livro foi lançado no Brasil durante a Flip.

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