"Tentamos salvar a humanidade através do divertimento", diz Jonathan Franzen

Palestra do autor americano na Tenda dos Autores da Flip teve até citação de música de Jennifer Lopez

Augusto Gomes , enviado a Paraty (RJ) | - Atualizada às

Walter Craveiro/Divulgação
Jonathan Franzen

Se a edição 2012 da Flip tiver que eleger um astro pop, o candidato mais forte é o escritor americano Jonathan Franzen. E não apenas por ser um dos autores mais populares - e, ao mesmo tempo, mais celebrados pela crítica - do evento.

Mas principalmente por ser uma figura que, do visual elegantemente informal ao comportamento levemente extravagante, parece ser feita para os holofotes.

Franzen já começou sua palestra na Tenda dos Autores subvertendo o protocolo. Na hora de ler um trecho de sua obra mais recente, "Liberdade", teve que pedir uma cópia à plateia. "É um livro grande demais para trazer dos EUA", justificou.

O humor e a ironia deram o tom da fala do escritor. Assim como os longos silêncios que se seguiam a cada uma das perguntas feitas pelo mediador Ángel Gurría-Quintana, refletindo bastante antes de responder.

Quando perguntado, por exemplo, se concordava com a afirmação que a função de um livro é divertir, Franzen respirou fundo, olhou para frente, juntou as mãos e disse simplesmente: "sim".

Depois, é claro, desenvolveu o raciocínio. "Um livro permite que a pessoa passe um tempo com ela mesma. E, de uma certa maneira, reflita sobre sua própria vida", explicou. "Portanto, a verdadeira função de um livro sério é usar sua capacidade de divertir para preservar a individualidade."

"Acho que, basicamente, nós escritores estamos tentando salvar a humanidade através do divertimento. Também é preciso ressaltar que, em inglês, 'divertir' não é uma palavra negativa. Divertimento não é só James Patterson. Ainda", completou.

Na palestra, Franzen ainda falou sobre o ofício de escrever ("Escritores tendem a exagerar o sofrimento. Se não há nada de errado em uma história, porque alguém ia querer ler?") e o 11 de setembro ("Eu tinha um rancor contra o uso político e midiático do ataque. Não aguentava mais ouvir que o 11 de setembro havia mudado os Estados Unidos para sempre").

Jonathan Franzen: "Escritores são, de forma geral, muito invejosos"

Entre um assunto e outro, ainda encontrou espaço para citar escritores brasileiros que admira (Bernardo Carvalho, Chico Buarque e Milton Hatoum), falar sobre sua paixão por observar pássaros e até citar a letra de uma música de Jennifer Lopez, "Jenny from the Block", ao explicar como se sentia ao tornar-se um escritor famoso.

"Ela canta 'I used to have a little / now I have a lot / But I'm still Jenny from the Block' ('Antes eu tinha pouco / Agora eu tenho muito / Mas ainda sou a Jenny do bairro'). Até parece!"

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