Faltou tempo na mesa com Zuenir Ventura, Dulce Cardoso e João Carrascoza

Encontro dos três autores resumiu-se a belas exposições de suas obras, mas sem espaço para debates e questionamentos

Augusto Gomes - enviado a Paraty (RJ) | - Atualizada às

A mesa Em Família, que reuniu Zuenir Ventura , Dulce Maria Cardoso e João Carrascoza na tarde deste sábado (07) na Flip 2012 , sofreu de um problema comum nos encontros com três escritores na Tenda dos Autores: não houve tempo para debates.

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Após cada um falar sobre sua obra e ler o trecho de um livro, sobrou tempo apenas para os escritores responderem a uma pergunta cada. Foi uma pena, porque o assunto, a família, renderia assunto suficiente para uma conversa mais longa.

Divulgação/Walter Craveiro
Zuenir Ventura palestra na Flip 2012

Dulce iniciou a conferência com uma bela reflexão. "Desde que existimos, existimos em múltiplas formas de família. Mas sempre em família", começou. "Ela é uma espécie de laboratório do comportamento humano. Na família, todos os dramas podem ser vivenciados."

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Segundo ela, a família é o lugar "da proteção". "É onde o amor ocorre e persiste de forma duradoura", explicou. Ela teme que, na sociedade atual, isto se perca. "Temo que, com o tempo, os relacionamentos tornem-se apenas uma espécie de sexo acessível e gratuito."

Zuenir, por sua vez, falou sobre a família da década de 1940, tema de seu primeiro livro de ficção, "Sagrada Família". "Os anos 1970 foram os anos de chumbo, os anos 1960 foram os anos rebeldes. Na minha opinião, os anos 1940 foram os anos ocultos", afirmou.

"Foi uma época de muita hipocrisia, muita dissimulação. O preconceito e os tabus conduziam todo o comportamento", disse. "Hoje, obviamente, a sociedade é diferente. Mas esses valores ainda persistem no interior, na província."

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Pena que, após as exposições, não houve tempo para Dulce e Zuenir discutirem suas experiências. Nem para compará-las com a bela defesa que Carrascoza fez de sua obra, que, em suas palavras, "trata dos temas pequenos, não dos grandes".

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