"O que leva as pessoas a acreditarem em conspirações?", pergunta James Shapiro

Crítico discutiu, ao lado do historiador Stephen Greenblatt, o questionamento da autoria das obras de Shakespeare

Augusto Gomes enviado a Paraty |

A mesa "O Mundo de Shakespeare", realizada na tarde desta sexta-feira (dia 6) na Tenda dos Autores da Flip , foi dominada por uma pergunta: as obras de Shakespeare foram mesmo escritas por ele?

Para o crítico literário James Shapiro, a questão não tem cabimento. "Nós sabemos que Shakespeare escreveu as obras", disse. Mais interessante, segundo ele, é tentar descobrir por que as pessoas fazem tal pergunta.

"É uma questão fascinante: o que significa viver em um mundo em que tantas pessoas acreditam em teorias da conspiração?", afirmou Shapiro. O resultado dessa curiosidade foi o livro "Quem Escreveu Shakespeare?" , lançado durante a Flip.

Entre as pessoas que não acreditavam que o filho de um mero fabricante de luvas poderia ter escrito clássicos como "Hamlet" e "Romeu e Julieta", estão nomes como o criador da psicanálise, Sigmund Freud.

"Ele é, com certeza, o mais interessante desses céticos", disse. Na opinião de Freud, uma obra como "Hamlet" só poderia ter sido escrita por alguém que tivesse passado pela dor de perder o pai.

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Como o pai de Shakespeare só morreu anos após a criação de "Hamlet", Freud argumentava que a peça só poderia ter sido criada por outro autor.

O historiador Stephen Greenblatt, companheiro de mesa de Shapiro, também não questionou a autoria de Shakespeare. Mas admitiu que algumas obras do dramaturgo provavelmente foram criadas em parceria com outros autores.

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Segundo ele, é muito provável que Shakespeare tenha escrito em dupla ou em grupo tanto no início quanto no final da carreira. Além disso, ele costumava se apropriar de textos previamente publicados.

"Praticamente todas as suas obras foram baseadas em outros autores", afirmou Greenblatt. Segundo ele, o talento de Shakespeare era justamente descobrir e transmitir as histórias mais poderosas.

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