Evento completa uma década sendo chamado de “celebração da convergência de cérebros”

Luis Fernando Veríssimo:
Augusto Gomes/iG
Luis Fernando Veríssimo: "A Flip é convergência de cérebros"


As tantas pedras que compõem as ruas do centro histórico de Paraty, cidade do sul-fluminense, podem contar os versos de “Tinha uma pedra no meio do caminho”. Mas não só este poema. Carlos Drummond de Andrade, homenageado da décima edição da Festa Literária Internacional de Paraty , parece surgir nas casas coloniais, no comércio local, na vida interiorana preservada entre o mar, o rio e as montanhas ainda verdes.

Antonio Cícero, crítico literário
Augusto Gomes/iG
Antonio Cícero, crítico literário

Coube a Luis Fernando Veríssimo ler um texto de abertura na noite desta quarta-feira (4), na tenda dos autores, a principal do evento. Veríssimo destacou a importância de Drummond na influência dos poetas contemporâneos. Ele também destacou a primeira década da festa que já é considerada a maior feira literária do País. “A Flip é uma catarata de pensamentos, convergência de cérebros, vibrante embate de línguas, celebração quase religiosa da literatura universal. Drummond se encaixa perfeitamente neste cenário”, disse.

Em seguida, o escritor Silviano Santiago e o crítico Antonio Cicero fizeram a primeira conferência da edição 2012, para uma plateia lotada. Santiago propôs uma visão de Drummond dividida em duas vertentes: a individualista, na qual rompe com o conservadorismo do seu passado; e a fase cosmopolita, mas não menos sentimental.

Já Cícero leu o poema “A flor e a náusea”, publicado em um livro de 1945, logo após a Segunda Guerra Mundial. “É quando ele se aproxima do comunismo”, diz. “No poema fica clara a postura de confrontar a palavra francesa ‘Fetiche’ que vem da portuguesa ‘Feitiço’. Fetiche são mercadorias se comportando como pessoas. Feitiço são pessoas se comportando como mercadorias. Palavras que se assemelham”, continua o crítico.

Cicero foi permeando sua apresentação com trechos do poema. Os últimos versos (“É feia. / Mas é uma flor. / Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.”) são, segundo ele, a defesa de Drummond ao ressurgimento da poesia num mundo que lhe parece inóspito.

Durante toda a programação, antes dos debates, escritores lerão poemas previamente escolhidos de Drummond como parte da homenagem aos 110 anos do poeta mineiro. A Flip segue até domingo (8).

Silviano Santiago relembrou a biografia de Drummond
Augusto Gomes/iG
Silviano Santiago relembrou a biografia de Drummond


    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.